sexta-feira, novembro 30, 2007

Curriculum vitae

A importância da foto no curriculum



Presada Dotora,

Quero candidatarme pra o lugar de ceqretário que vi no jornau.

Eu teclo muito de pressa con um dedo e fasso contas ben.

Axo que sou bom ao tefone em bora seija uma peçoa sem muito extudo.

O meu salario tá aberto há discução pra que a Dotora possa ver o que mi pode pagar e a Dotora axar qui eu meresso.

Pósso comessar imediatamente.

Agradessido em avanso pela sua resposta.

Cinceramente,


Coloranildo Silveira


PS : Como o meu currico é muinto piqueno, abaicho tem 1 foto minha.



Resposta da Empregadora:



Querido Coloranildo Silveira,

O emprego é seu.

Nós temos correção automática no word.

Compareça já amanhã.


Obséquio das queridas colegas C e R!

eheheh

Para quem perdeu o Norte...

Electrelane - To the East

Tirando o aspecto de quem respira pela boca, até é gira

Olha, ali em frente! (Ali? Onde?) Aquela tipa com o chapéu vermelho! É a nova namorada do ex da X! (Ai sim? É a tal?) Sim... agora não me posso virar para trás senão dou muito nas vistas... Dizem que é gira. O que achas? (Bem, tirando o aspecto de quem respira pela boca, até é gira.) Ahahah!

--"--

Estas mulheres... sempre tão malévolas no corte e costura! É que não gostamos de falar mal de ninguém, e nunca o fazemos das amigas, mas aquelas que já se afinfaram/estão em vias de afinfar a namorados/ex-namorados... Meninas! Esqueçam! Não escapa nada! Nem o total mau gosto das cores combinadas, nem a roupa demodé (5 minutos!), nem a bela da camisolinha croché (o horror, parece uma viagem ao passado... La Redoute, estilo serrano outono/inverno 89/90!), nem os quilinhos a mais, ou os quilinhos a menos, nem as olheiras, o excesso de maquilhagem (à la putefe), e se a mala for gira... (bolas pah, já não basta a raiva da miúda ser mal-educada, ainda anda a exibir uma mala giríssima!). Sim, nós mulheres podemos ser muito, muito más!
E claro que olhamos para nós e rimo-nos com gosto: -Tu também estás com uma cara... parece que te passaram com uma caterpillar em cima! (Qual é a marca do teu corrector de olheiras?) - É da Avene... mas o melhor para as olheiras é usar um hidratante! (E qual usas?) - Olha, vais a uma farmácia e pedes a pomadinha para as hemorróidas! Ficas com isso au point! Pois que hemorróidas!!! Ahahah!!!

quinta-feira, novembro 29, 2007

Are you hoping for a miracle?

Bloc Party - Helicopter

Há Henriettas com sorte!

The Fratellis - Henrietta

quarta-feira, novembro 28, 2007

gato escondido com o rabo de fora

Há qualquer coisa no felinos que me transcende.
Será a natural aptidão para a anarquia? A aparente independência e desinteresse? A elegância majestosa do porte? A curiosidade irresistível? O ronron de satisfação quando se sentem confortáveis?
Sem dúvida que é o carácter dicotómico, o amar ou odiar, o precisar constantemente de provas de estima... os episódios tempestivos de ciúmes... e aquele arzinho culpado, aquele passo leve e cuidadoso de quem está sempre a apalpar terreno, como quem sabe que fez asneira, mas não resiste a ficar, porque no fundo, bem no fundo, não sabe viver sem nós...

terça-feira, novembro 27, 2007

Is this Love?

Clap Your Hands Say Yeah - Is this Love?

Uma músiquinha muito diferente com um vídeo absolutamente genial! Não há clean break ups... nem entre... humm... vacum cleaners.

segunda-feira, novembro 26, 2007

'Cause we were talking about red shoes...

Rita Redshoes - Dream on Girl

domingo, novembro 25, 2007

Beauty under pressure

Viver é complicado! É preciso toda a energia e disponibilidade para viver sem olhar para trás e sem ter remorsos... o que implica que coisas muito importantes às vezes sejam deixadas para segundo plano.
"Hoje não me apetece", "Não faço a mais pálida ideia de como começar isto", "C, tens aí alguma minuta de ... para eu ter ainda menos trabalho?", "Passa para cá o Timóteo, grazzie!", "Não tenho muito trabalho, só umas pesquisas, para já..."
... e depois...
"Bolas pá! Tenho o prazo a acabar!", "Tenho muito, muito trabalho! Não tenho tempo de ler o dn, nem o público, nem a lusa, nem ABSOLUTAMENTE NADA! Faz-me um apanhado rápido do que se passa lá fora enquanto ligo o pc!", "Não mãe, hoje ainda não telefonei à mana, não tenho tempo!", "F***-**, estou atrasada!", "Aiiiiiiii, tanto trabalho e tão pouco tempo para o fazer como deve ser!"
Ora pois, "tanto trabalho e tão pouco tempo para o fazer como deve ser". Eventualmente tenho-me saído bem, mas até quando?
Enquanto isso, vou escrevendo no blog, comentando os blogs de estimação, comentando os comentários do blog e dos blogs de estimação... e pasme-se... ainda tenho tempo para as cafezadas, às vezes... A minha vida anda com as prioridades um bocado estranhas...
(o melhor texto que já escrevi na vida, atenta a ratio idade/qualidade, valeu-me uma viagem a Macau, e fi-lo no último dia do prazo...) Sou uma desorganizada nata!!!

sábado, novembro 24, 2007

Coffee and Cigarrettes

Há já algum tempo que o café não tem o mesmo sabor. Desde o primeiro dia que dei pela mudança, mas pensei "diferente não quer dizer pior", e como qualquer viciada em cafeína, continuei a ir, a saborear, lentamente, cada gole daquele café, de cheiro e textura diferente, mas igualmente rico. Não era tão bom, mas também não era mau, era somente diferente.
Há dias o inevitável aconteceu. Fiquei sentada a saborear, completamente alheada, sozinha nos meus pensamentos... sentindo que tinha mudado de café para descafeinado, e como isso se repercutia na minha vontade de tomar café.
Nesse momento decidi, mais vale tomar um só café por dia que dois descafeinados: não sabem bem, não têm qualquer efeito, e fazem mal à saúde a dobrar!
--"--
Independentemente da opinião daqueles que insistem em não atribuir qualquer significado àquilo que nos acontece na vida, do quanto toda a gente é unânime em me explicar, pacientemente, que tudo se deve ao acaso, e que nem tudo tem de ter uma razão de ser... eu confesso a minha obstinação, quiçá estupidez, em vislumbrar o óbvio, e afirmo sem qualquer pejo que não me arrependo de NADA do que fiz até agora, absolutamente nada, e como isso teve uma influência imensa naquilo que hoje sou.
Mesmo o ter cedido à inércia, ter-me deixado levar na corrente por encantamento, medo, devaneio... ter cessado de pensar quando não devia, ter pensado até entrar em curto-circuito, tudo! Tudo isso me trouxe AQUI! E como me sinto bem assim, aqui chegada, com os amigos que fiz, com o que aprendi... com aquilo que já deixo feito!
Sinto, às vezes, que não precisava de ter sofrido tanto para chegar aqui, que outros não passaram pelo que passei, nem com a mesma profundidade, nem com a mesma frequência... Mas não somos todos iguais, possivemente eu demoro mais tempo a aprender, possivelmente eu também exijo de mim mais do que o corriqueiro, porque almejo, também, voos mais altos e outras responsabilidades.
--"--
É em cafés assim, contemplativos, já não histriónicos, que nascem as sementes dos grandes feitos. Nascem poemas, estratégias, sentimentos profundos. E às vezes nasce uma sensação indefinida de mudança, que não sendo nada, é quanto baste!

Beirut

Deviam ser proibidos vídeos assim... tão sensuais...

Beirut - Elephant Gun

sexta-feira, novembro 23, 2007

Red Shoes

Já estava atrasada, com os longos cabelos em desalinho colados aos lábios brilhantes de gloss de framboesa. Equilibrava os pés com dificuldade naquela rua íngreme e escorregadia, sabendo que um passo em falso seria seguido por uma inevitável queda aparatosa.

Não caias medusasss, sibilavam as cobrinhas, podes dar o espectáculo da tua vida de maneiras muito mais interessantes! "Suas valdevinas, concentrem-se é em rezar aos anjinhos para me ampararem a queda, que isto hoje está difícil!"

Foi então que passaste por mim, estava eu distraída a olhar para onde podia pôr os meus pézinhos, precariamente equilibrados em cima de uns belíssimos sapatinhos vermelhos.

Definitivamente não sou a Dorothy, nem os sapatos têm poderes especiais.

For we're half-awake in a fake empire

The National - Fake Empire

quinta-feira, novembro 22, 2007

A minha vida é um livro aberto...




You Are 60% Open Minded



You are a very open minded person, but you're also well grounded.

Tolerant and flexible, you appreciate most lifestyles and viewpoints.

But you also know where you stand firm, and you can draw that line.

You're open to considering every possibility - but in the end, you stand true to yourself.

Ora pois? E quem vai fazer o teste? eheheh
Copiado do blog do Brama...

Cartinha ao Papá Natal!

Querido Papá Natal,

Este ano foi pleno de coisas boas e más, e fazendo o justo balanço das minhas acções e omissões, cheguei à conclusão que mereço este mundo e o outro! Mas como sei que tu tens outras meninos e meninas para atender, e não quero que percas mais que o tempo indispensável comigo, venho pedir-te coisa pouca...

Para já gostava que o Instituto de Gestão Patrimonial do Estado e da Justiça me pagasse tudo o que me deve, com juros de mora incluídos e regular notificação das intervenções relativas a cada pagamento. Coisa pouca! lol

Gostava de ganhar, uma vez na vida, qualquer coisita no Euromilhões, se for os citados milhões fico ainda mais esfuziante, mas uns euritos já me alegram a vida!

Adoraria ser a feliz contemplada com um Volkswagen Beetle Cabriolet Vermelho... tem tudo a ver comigo! Bem sei que a Dani Riquiqui é da opinião que um dois cavalos é mais in, mas Dani, amiga... eu gosto de ter uma resposta rápida aos meus impulsos!

Depois... gostava de ser agraciada com um cérebro novo... uma versão do meu melhorada, novinha em folha, mas com toda a informação guardada no disco D:. Dava-me imenso jeito... e já agora, se não for pedir muito, quero a cópia dos exames que vou ter de fazer este ano uns diazitos antes... para poder estudar ainda menos!

Não querendo abusar da tua generosidade, quero que ofereças um AUDI A4 cinzento à minha mana, pelo qual ela não pára de suspirar. Assim como um barquito de recreio estilo Iate, para darmos umas voltinhas nas férias, mas com pavilhão do Emirados Árabes Unidos porque já basta o que pago em impostos!

Se não for pedir muito, pedia também muita saúdinha para mim e para todos aqueles que me são queridos, mas mesmo todos, sim papá? Olha que se não fizeres bem o teu trabalho eu conto à mãe e ela tem o rolo da massa mesmo à mão!

E como os meus desejos foram todos muito simples, porque eu contento-te com pouco, pedia o obséquio de ser atendida primeiro! Não gosto de esperar e ainda te cansas a meio da lista e mandas todos catar macacos.

Post Scriptum: Esqueci-me de indigitar os continuadores deste esquadrinhador de desejos, portanto ofereço-o a quem o quiser utilizar!

As bruxas - parte II


Com excepção de Opostapsique, nenhum dos leitores quis dar ideias para os três consecutivos dias que faltavam para perfazer uma semana de burburinho, pelo que a medusasss meteu dedos ao trabalho e deixou a imaginação partir à desfilada, como nos últimos tempos tem sido habitual...

Ao fim do quinto dia, cansadas de olhar para a barriga lisinha, na esperança que se mexesse, qual alien esburacarador de ventres macios, pensaram, finalmente, que andava muito pálica, que possivelmente seria excesso de trabalho (e anda tão magrinha a pequena... ou tem anemia ou aquelas doenças modernas, anorexias), e que atenta a palidez mortal, não teria mais de uns meses de vida, (coitados daqueles pais, pagar um curso superior para isto!).
E como a vida é chata, ao fim do sexto dia teria sido raptada numa discoteca da capitale (porque esta juventude anda sempre na má vida, na ramboia!), levada arrastada até as arrecadações de um quarto esconso, onde me teriam retalhado arbitrariamente para me removerem os órgãos (imagine que só não levaram o coração porque alguém chamou a polícia!), e que andaria muito debilitada a viver apenas com um rim e a fazer hemodiálise, enquanto esperava por um dador compatível do fígado que me tinham roubado (com um bocado de sorte ainda paga o transplante do fígado que era dela! "Ai as ideias que tu tens, vizinha!").
Na tarde do sétimo dia teria sido raptada por um alienígena (que andam umas luzes muito estranhas para aqueles lados), que teria feito de mim tudo o que queria (sabe-se lá, aqueles prevertidos lá de fora, eu já não saio à noite descansada), e que o desmaio era devido ao cansaço que aqueles exames exaustivos me tinham provocado, a que acresce a reacção alérgica que fiz "aqueles líquídos verdes e azuis que lhe injectaram nas experiências".
Ao oitavo dia, outra moça qualquer teria desmaiado, e voltava tudo ao mesmo, qual oroboro nietzschiano, eterno retorno das mesmas conversas, com as mesmas pessoas, que na minha aldeia se dão pelo nome de 24Horas e TAL&QUAL.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Hoje dou-vos música #2

Howling Bells - Setting Sun

Hoje dou-vos música

Tv on the Radio - Wolf like me

terça-feira, novembro 20, 2007

Bruxas!

Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há!
E a afirmação infra citada, aparentemente paradoxal, tem tanto de falso como o Ronaldo precisar de se mexer para ganhar dinheiro.
Sim mon cher! Tu já ganhaste mais nestes últimos 2 anos que eu ganharei uma vida inteira, por isso não me venhas com historinhas mal contadas e completamente inverosímeis (caríssimo, com essa vozinha não enganas ninguém. Quiçá umas inglesas mal habituadas a gentlemen ou Hooligans, ao estilo Cola do Irvin Welsh).
E assim como o Ronaldo continua a ganhar dinheiro parado, também as bruxas existem, assim como há quem acredite nelas. E o poder da crença é tão forte, que o temido se transforma em realidade, o placebo se transmuta em medicamento eficaz, que, finalmente, médicos conceituados só aceitem pacientes optimistas para cirurgias delicadas e operam milagres da medicina (espertos!).
Mas, atentemos no Lobby Bruxas: Toda a gente conhece pelo menos uma bruxa na sua aldeia de estimação, lar de fim-de-semana, emprestado, ou de parente afastado. Essas bruxas são, com efeito, muito perniciosas.
No espaço de uma semana o meu primo mais novo veio perguntar-me como tinha corrido a operação da minha irmã, se estava bem e quando saía do hospital... e a minha irmã na praia, refastelada!
Imagino a má sorte de desmaiar na rua... no dia seguinte toda a gente comentará que estou grávida, que são gémeos de pais diferentes e incógnitos, um casalinho que se chamará Beatriz e André, e que, suspeita-se... atenção! Suspeita-se que o menino será mulato e terá mongolismo (ai coitadinha daquela mãe, não lhe invejo a sorte), apesar de me recusar a fazer a amnioscentese.
Passados dois dias a situação inverte-se, passo de Maria Madalena a Virgem Maria. Com efeito, engravidei numa piscina porque neste corpinho que Deus me deu não entra traço de pecado. Que, coitadinha da minha mamã que está muito aflita à espera dos resultados dos exames do VIH-SIDA porque sabe-se lá de quem era aquilo (ai credo, nunca mais vou a uma piscina, nem praia, nem utilizo casas de banho públicas).
Ao final do terceiro dia a versão será radicalmente diferente! Afinal namoro secretamente há mais de 3 anos com um cigano traficante de droga, que eu inseriria secretamente na casa de família, no leito conjugal dos pais ausentes (veja lá, a pouca vergonha!)... que qual Cyrano de Bergerac me declamaria poemas à janela, em surdina, e (dizem a más línguas), se encontra a cumprir pena de prisão perpétua por homicídio qualificado e lenocínio ("leno quê?", "opah, o tipo era chulo")!
Ao final do quarto dia não haverá mais puta que eu (ainda mais)... afinal as viagens ao estrangeiro não foram para enriquecimento pessoal, mas sim viagens abortivas disfarçadas de viagens turísticas (a mim nunca me enganou a gáaaldéria, com aquela carinha de santa), já que serei herege, excomungada sem eira nem beira, deserdada por pais inconsoláveis (Essa não é minha filha!) em cerimónia pública (que eu vi, com estes olhos que a terra há-de comer), malas atiradas e livros lançados (sim mãe, sim pai, a biblioteca vai comigo, si vous plais), entre gritos rasgados de raiva e dor...
Hoje estou melodramática...
Querem os leitores acrescentar uma quinta versão? Quiçá mais 3, uma para cada dia da semana!

Oi Va Voi

Oi Va Voi - "Yesterday's Mistakes"

segunda-feira, novembro 19, 2007

No cinema

Apertamos as mãos no escuro enquanto as luzes, uma a uma se vão apagando. Dás-me um beijo rápido, e segredas-me uma malandrice ao ouvido. Pisco-te o olho "já falamos!".
Vemos sombras fugidias contra o ecrã, de retardatários ansiosos. Agora sou eu que te roubo um beijo, fugidio, e as mãos fortes, uma na outra. O filme começa.
As imagens passam lestas, o som ressoa dentro de mim, e de ti... do teu pulso tão forte! Afastamo-nos e fingimos ver o que se passa à nossa frente. São belos, sempre belos, têm a beleza efémera das borboletas, destinadas a morrer ao cair da noite. Mas tu... tu és real e palpitas ao pé de mim. E o cabelo cai-me desordenado nas faces a escaldar. "Este filme não presta!" (Sou da mesma opinião)...
Aguarda-nos o frio da noite, mas o teu abraço é quente, convidativo. Nele mergulho e deixo-me estar, até o amanhecer.

Bang Bang

Sethyoder, tens toda a razão. Esta versão dos The Raconters está o máximo! Uau!!! ADOREI!

domingo, novembro 18, 2007

Sou só eu, assim...

Percorro as ruas agrilhoadas em passos apressados. Carrego comigo uma sombra que teima em me contaminar. Vejo-a na minha imagem deformada das montras, nos olhos das outras pessoas... vejo-a constantemente nos carros que passam apressados. Não está aqui, mas está em todo o lado e isso aterroriza-me. Escondo o meu temor por detrás dos meus óculos escuros, receosa que os outros vejam em mim aquilo que em mim persiste, e que eu afasto com gestos altaneiros e cuidadamente descuidados.
E pressinto constantemente pequenas silhuetas a assombrar os meus pés, invisíveis... vejo-as pelo canto do olho, mas volvida a cabeça, nada existe... Percorrem lestas os meus caminhos, pré-existem nos meus sonhos... não as temo, mas estranho-as, são uma intrusão no meu pensamento consciente. Vigiam-me... expectantes... o que querem de mim? Querem o que me resta da sanidade? Querem alimentar-se daquilo que em mim subsiste? Quererão observar a minha queda enquanto ergo a cabeça, altiva, e caminho como se nada fosse?
E eis que o salto se enfia profundamente num dos muitos buracos daquela rua alinhavada a paralelos rectângulos, enquanto um Aixam 400 SL, Azul, (vulgo papa-reformas, mata-velhos) se vê forçado a parar e a esperar 2 dolorosos minutos, enquanto desprendo um salto para logo prender o outro. E rio-me, abano a cabeça incrédula, e dou uma gargalhada... e as sombras a meus pés riem comigo, gostosamente.

sábado, novembro 17, 2007

These boots are made for walking

Maria, as tuas Texanas deram-te cabo dos pés, mas em grande estilo, já que those boots were made for walking!

Nancy Sinatra - These Boots were made for walken

Para quem se recorda desta voz de algum lado, vejam BangBang!

Um pouco de humor...

UV light-Traces of semen in a crime scene

sexta-feira, novembro 16, 2007

This Mortal Coil


This Mortal Coil - Song To The Siren



This Mortal Coil, grupo entretanto extinto, alcançou a fama com o cover de Song to the siren de Tim Buckley. Os mais novos lembra-se-ão da música pela publicidade ao perfume Noa e por ter sido incluída na banda sonora do Lost Highway de David Lynch.


Mas o que é This Mortal Coil, perguntam-me vocês, ávidos de informações, expectantes ante as modestas palavras desta escrevente.

This Mortal Coil é um projecto criado por um dos fundadores da editora musical 4AD, Watts-Russell, e pelo produtor John Fryerpelo, integrando no seu elenco artistas editados pela 4AD, como Elisabeth Fraser dos Cocteau Twins, assim como Lisa Gerrard e Brendan Perry dos Dead Can Dance.

Song to The Siren, a minha favorita, encontra-se incluída no album It'll end in tears, tendo marcado um género musical, caracterizado por Ethereal Wave.

Belle and Sebastian

Belle and Sebastian - The Blues Are Still Blue

quinta-feira, novembro 15, 2007

Sense of Style

Soube de fonte exacta e certa que ir de vestido vermelho para o casamento de uma amiga, significa que a beauty in red se quer afiambrar ao noivo.

Amiga, bem sabes que NUNCA quis nada com o teu respectivo! Com efeito, somos tão amigas e tenho tanto respeito pela nossa amizade, que olho para ele e é como se fosse gaja!
Bem que o podes incluir nas nossas cafezadas de gaja, a falar de depilação, roupa chic, TPMs, sapatos, malas e restantes acessórios.
Sou absolutamente sincera, ignorava que havia tal interpretação! Mas quem inventou essas regras absurdas? Vais-me agora dizer que todos os que usam óculos redondos são pedófilos, que colocar os copos de determinado modo num bar é significativo de uma determinada máfia ou tríade...
Realmente, eu sou uma cegueta, tropeço constantemente nas boas e elementares regras da High Society... Não fui feita para isto, não gosto, prefiro encontrar-me convosco no barzinho fumarento do costume, para bebermos as nossas Bohémias, ou as Carlsbergs devidamente dispersas pela mesa, qual jogo de bowling.
E aquele vestido vermelho é tão giro, e fica-me tão bem... e bem sabes como é difícil encontrar algo de que goste.
Para a semana não tens desculpa...

Insomnia


Há horas que demoram eternidades a passar

quarta-feira, novembro 14, 2007

It couldn't be more truth, calvin...


Há várias maneiras de se mascarar um texto: quer usando palavras ocas, vazias de significado, quer dispondo as frases de uma forma tal que o conteúdo se perde nas voltas e reviravoltas das palavras.
Nunca tive talento para tergiversar, assim como nunca aprendi a mentir, assim como sempre me lixei por preferir dizer ou calar o que penso.
Pode ser que a vida me ensine a mentir... Mas duvido, burro velho não aprende línguas.

terça-feira, novembro 13, 2007

Tournée du Chat Noir


Moribundo, bem sei que o teu sonho era seres pianista numa casa de putas, mas enquanto não aprendes a tocar piano, e eu não deixo os cigarros, que me deixam a voz maviosa tão rouca, que tal irmos dar uma voltinha.
Há coisa de meses fui a um espectáculo espantoso... recordo-me dele como se de um sonho se tratasse. Entrei por uma porta minúscula, tapada por uma cortina pesada de veludo vermelho (não, não era uma casa de putas! Achas-me com cara de quem frequenta casa de putas?) e do lado de lá era um espaço amplo maravilhoso! Os tectos altos, e alvos, com intrincados motivos impressos no gesso, um palco ao fundo, cheio de luz e som... e aquele ambiente de fumo que eu tanto detesto, que me deixa os olhos a arder e as roupas a cheirar a tabaco... tu sabes! E enquanto entrava, um mimo vestido de mordomo fez-me uma vénia, como quem diz "Faça favor de passar mademoiselle, estamos todos à sua espera"... senti-me especial. Há pequenos pormenores, tão insignificantes na sua pequenez, que nos fazem tão felizes! E aquele pequeno gesto é representativo de uma estrutura de marqueting tão bem pensada e eu... já estou a teorizar outra vez! Passei o mimo, e dirigi-me a uma mesa num canto. Mal me sentei o empregado solícito acercou-se, e sem nada dizer aguardou que pedisse: Um Daiquiri, se faz favor.
O ambiente era escuro, convidava à reflexão. Acendi um cigarro e fiquei a ver o fumo desfazer-se em volutas de azul. Subitamente todos se calaram. Acendeu-se uma luz, e tu, sim tu! Tu entraste vestido de fraque! Fizeste uma vénia ao público e encaminhaste-te para o piano de cauda preto que estava no centro do palco. É engraçado, pensei eu, não fazia a mais pálida ideia que sabias fazer vénias com tal elegância, nem que tocavas tão bem. Repentinamente, levanto-me e encaminho-me para ti. Piscas-me o olho em aprovação, tiro o casaco pesado que trazia ao ombros, e começo a cantar! É a minha voz que oiço, mas não é a minha voz que canto! E aquelas músicas! Não as conheço de lado nenhum... São tão diferentas, a estrutura melódica é tão diferente do que estou habituada a ouvir.
Sinto que o público gosta de nos ouvir, que se deixam embalar pelo nosso sonho. E repentinamente falha o sistema de som, apaga-se a luz... e o público canta connosco! Maravilhoso.

corto


Corto amigo,
Morro devagarinho, de saudades tuas! Como é que tu, vil, te atreveste a fazer-me isto? Conquistares-me aos poucos, de mansinho, e quando finalmente tiveste toda a minha atenção... foste-te embora!
Sinto a falta das tuas histórias, das tuas aventuras de finais supreendentes e miraculosos, da maneira como sorrias e dizias "És perfeita", como acabavas as minhas frases, como nos entendiamos intuitivamente... especialmente da tua habilidade em tocar o meu Eu profundo, e levar-me a considerar seguir-te e viver contigo essa tua vida aventurosa, por esse mundo fora... nós os dois...
Adorei as tuas cartas! Cheiram a mar, a terras estranhas, a especiarias que não conheço... são como a tua voz quando me contavas histórias: trazem insitas outras realidades, outras dimensões.
Que te dizem as estrelas Corto? Voltaremos a encontrar-nos? Gostava de poder mergulhar nos teus olhos e perder-me outra vez...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Lempicka

Auto-retrato num Bugatti Verde - Tamara de Lempicka

Há ícones da nossa adolescência que nos deixam uma marca indelével, que determinam o nosso sêntido estético ou completa falta do mesmo.

Lempicka inaugurou um estilo único. Em plenos anos 20, pintava como quem esculpia, e utilizava como modelos de inspiração apenas o que de melhor o mundo lhe oferecia. As mulheres retratadas são todas mulheres belíssimas, de olhos sonhadores e a vibrar de sensualidade. Lempicka soube retratar justamente mulheres precisamente por ser uma mulher, por compreender a multiplicidade de sensações que nos perpassam no segundo em que nos vemos observadas por olhos alheios, inquisidores, apreciativos, atemorizadores.

Do estilo escultórico com que presenteou as gerações vindouras pouco se fala, mas a marca deixada no ideário feminino permanece. Emprestou o nome a um perfume que usei durante anos até me fartar, Lolita Lempicka, e influenciou o ideal de beleza feminina com os seus quadros repletos de força e suavidade.

Quando era uma medusinha adolescente olhava para estes quadros e pensava... é tão bela! Serei eu alguma vez assim?

A medusasss a voltar à pré-adolescência - Desafio ou melhor INQUÉRITO

Pois que não estava nada a contar com isto! O Hydrargirum, aquele sacaninha, desafiou-me e cá estou eu... a contar pormenores sórdidos da minha vida!
1. Alguém que te fez rir ontem à noite? - Sim, muita gente me fez rir ontem à noite, mas ninguém me fez cócegas, isso não.
2. O que estavas a fazer às 08 da manhã? - Estava a soltar das pragas mais mal educadas que conheço, "f****, estou outra vez atrasada!" e outras que mais.
3. O que estavas a fazer à 30 minutos atrás? - A lanchar um parolo (pão) com queijo.
4. O que te aconteceu em 2006? Assim de importante... tanta coisa! Fiz uma peregrinação muito saaaaaaaaanta! Fiquei lavada de pecados!
5. O que foi a última coisa que disseste? - "Uma doida???"
6. Quantas bebidas bebeste hoje? - Muitas, praí 2 cafés, água, dry martinni, "shaken not stirred". ACHAM???
7. Qual é a cor do teu pente? - Só tenho escovas, isso de pentes é para gajo.
8. Qual foi a última coisa que pagaste? - 4 parolos.
9. Onde estavas ontem à noite? - Curiosidade mórbida! A dormir recatada e SOZINHA na MINHA caminha, como a bela adormecida.
10. Qual é a cor da porta de entrada da tua casa? - Branca.
11. Onde guardas os teus trocos? - Num porta-moedas super original, que a Ushy me trouxe da Alemanha.
12. Como está o tempo hoje? - Não faço a mais pálida ideia, isto gente que trabalha não olha pela janela e agora já é noite e está frio QUE DOI!
13. Melhor sabor de gelado? - Café.
14. O que te anima na vida? - Amigos, família, os oligofrénicos (atrasados mentais) com quem me cruzo... and so on...
15. Queres cortar o teu cabelo? - Quero pois. As pontitas. Mas isto cabeleireiras é melhor ir lá mais para a frente, porque da última vez que pedi as pontas fiquei com o cabelo pelos ombros e uma raiva à cabeleireira que ainda hoje não quero lá ir tão cedo.
16. Tens mais de 25 anos? - Ora, nasci no ano da graça de 1982, façam as contas!
17. Falas muito? - Depende. Se for interessante...
18. Vês o O.C.? - Isso é o quê? Oyster Company? Oil Company? Estás-me a ver com cara de Adido Árabe?
19. Conheces alguém chamado Steven? - Sim, conheço. O nome dele é mesmo Stephen, mas explicou-me em boa hora que Steve era diminutivo.
20. Inventas as tuas próprias palavras? - Ora pois claro que sim: aproveitadeira, mal da figadeira, inimigo fidagal (de fidalgo) e outros que agora não me lembro.
21. És uma pessoa invejosa? - Isso depende do que se considera inveja. Não invejo os outros, mas se fores de férias para Andorra, vais-me ouvir dizer "Ai, que inveja! Também quero!"
22. Diz o nome de um(a) amigo/a cujo nome comece por 'A' – Albertina.
23. Diz o nome de um(a) amigo/a cujo nome comece por 'K' – Kátya.
24. A primeira pessoa que está na tua lista de chamadas recebidas de hoje? - Mile.
25. O que é que o teu último sms diz? - "Se te convidar para sair não quero que leves as tuas amigas".
26. Mastigas a palhinha das bebidas? - Não, elas servem apenas para sorver os líquidos e para fazer boquinha.
27. Tens cabelo encaracolado? - Não...mas tenho 2 remoinhos de mau-feito.
28. Para onde vais a seguir? - Já, já para o ginásio, e já estou atrasada!
29. Quem é a pessoa mais mal-educada na tua vida? - A minha vida não tem pessoas mal-educadas e espero que nunca venha a ter. Tenho umas amigas com palavreado hardcore, mas nelas tem estilo, classe, e é fofinho.
30. O que foi a última coisa que comeste? - O tal parolo com queijo.
31. Vais-te casar no futuro? - Tenho sérias dúvidas quanto a isso, eu é mais junta de facto e depois logo se vê.
32. Qual foi o melhor filme que viste nestas últimas duas semanas? - Ora pois que o tempo tem sido zero... Vi o departed.
33. Existe alguém de quem gostes neste momento? - Sim, estou perdidamente apaixonada pelos meus amigos, não compreendo como gostam de mim, me aturam, e ainda me convidam para sair!
34. Quando é que foi a última vez que lavaste a loiça? - Hoje à hora do almoço.
35. Estás deprimido neste momento? - Não, estou mesmo aborrecida por ter concordado em responder a este "INQUÉRITO".
36. Choraste hoje? - Não. E acho que não o vou fazer tão cedo, a não ser que haja uma tragédia e fique orfã, ou me morram os gatos, os amores incondicionais da minha vida.
37. Porque respondeste a este questionário? - Porque o Hydra é mau! Desafiou-me... e eu com desafios digo sempre que sim... é o meu calcanhar de Aquiles... já me conhece, o safardolas!
38. Etiqueta 5 pessoas para responder a este questionário.
Os pobres coitados que se seguem, tenham paciência, mas se eu consegui sobreviver a esta traumática viagem ao passado, eles também conseguem! Let the festivities begin!
3- Maga

domingo, novembro 11, 2007

Rua da Ilha - The grand finale

Estava já a estudar para as segundas frequências quando se instalou o desespero. Já entrava pelo quarto adentro sem bater à porta, sem pedir licença. Encontrava as coisas sempre diferentes quando regressava da faculdade... e quando falava disso com os progenitores, esbarrava num muro de total incompreensão: "Oh, no meu tempo era pior! Discutiam connosco porque queriam que só tomassemos um banho por semana, vê lá! Tinhamos de tomar banho às escondidas! Era uma emoção! E na República das Odaliscas... só lavavam a loiça quando não tinham onde comer! Chegavam a andar à bulha só para decidir quem era a pobre coitada que tinha de lavar a loiça com semanas!" - Mas mãe! Eu não tenho de passar por isto. Ninguém hoje em dia se sujeita a uma situação assim?!? - "E no Porto! Vivi numa República que se chamava Já Não É... sabes, com aquela lei da ditadura que proibiu a prostituição, as antigas casas de putas ficaram vagas e só os estudantes é que iam para lá... nós tinhamos um placa a dizer Já Não É para avisar os clientes mais distraídos!" - Mas ninguém me compreende? A velha está a dar cabo de mim. Isto é terrorismo psicológico! - "Filha, não vais sair agora a meio do ano, em plena época de frequências, esperas pelo Verão e depois escolhes uma casa com mais calma".
E a medusasss lá teve de se arranjar com o que tinha... Foi às páginas amarelas e viu: Finanças... ora bem, morada... número de telefone... secção de fiscalização... hummm ok!
- D. Conceição, já lhe disse que não pode entrar no MEU quarto, que pago para poder utilizar, nem quando estou ausente, nem muito menos enquanto cá estou! Está a ver este número? Eu leio para poder compreender melhor! É o número das finanças! É o 239 xxx xxx! Se continua a chatear-me vai ver! Telefono-lhes e depois quero ver como é que lhes explica toda esta gente que tem nesta casa, sem contrato, nem recibos!
Os últimos 2 meses foram de paz...

Mutts... real filosophy

A imagem que melhor guardo dos Mutts, é do Earl, abanando a cauda excitadíssimo, numa expressão de amor incondicional, dizer, perante a taça repleta de comida: Great hunter, always on time!


Pena de Morte

Idées Noir - Franquin
(clicai na imagem para ver melhor)


Sempre fui contra a pena de morte. Sempre achei que pior que morrer é ser condenado a prisão perpétua. Só de imaginar a vida a prolongar-se, dia após dia, igual, monótona, cinzenta, bolorenta... com ou sem sentimentos de culpa... é de cortar os pulsos, na vertical, sem qualquer hipótese de salvação.

Quem anda nos tribunais sabe como a prova é muitas vezes diabólica, como, mesmo quando a verdade nos assiste, esta parece escapar-nos por entre os dedos. É, demasiado frequentemente, muitíssimo difícil explicar aos constituintes que não basta sabermo-nos no uso da razão e da verdade, é preciso prová-lo.

E quando temos um sistema de conceitos a que denominamos "linguagem", que em vez de nos aproximar, nos afasta; quando temos uma vasta maioria da população que não se sabe exprimir, e anda a enganar meio mundo, fingindo que o sabe... e quando esses chico espertos vão a tribunal testemunhar, apanham pela frente um advogado queirosiano, que lhes dá a volta ao português com uma pinta, e os põe a jurar solenemente que o sol da meia-noite é vermelho, apesar de nunca o terem visto!

Conhecendo o Sistema Judicial e as suas falhas, como podemos avocar capacidades punitivas extremas como a pena de morte e a prisão perpétua? O risco de punirmos alguém inocente é tão grande que é incomportável defender-se um sistema assim.

Acresce que todas as instituições humanas, porque criadas por humanos, são defeituosas. Aplicar penas capitais definitivas exige do aplicador uma rectidão que não conheço a ninguém. Por outras palavras, que ser humano teria legitimidade para o fazer? Legitimidade baseada em quê?

Por outro lado, olhando para o criminoso. Não aprendemos já que todos temos tendência para demonizar os outros? As pessoas nunca são tão más nem tão boas como as achamos, são só imperfeitas e diferentes.

Não defendo, obviamente, a anarquia! Não! Mas jamais alguém me verá assinar uma petição a favor da pena de morte.

sábado, novembro 10, 2007

dead can dance

Dead Can Dance - The Carnival Is Over

Foi com a Wimoe que descobri Dead Can Dance: estávamos em Guimarães, a entrar na zona histórica e começámos a ouvir Saltarelo, seguido de Yulunga. Todas as serpentezinhas arrebitaram as cabeças, e fiquei a ouvir estarrecida: foi amor à primeira vista.

O vídeo de Carnival is over é belíssimo, fico sempre suspensa a olhar para as imagens a sucederem-se, uma atrás da outra... mas também gosto muito do vídeo de Within the realm of a dying sun, que infelizmente não posso transportar para este blog, mas que os leitores podem ver aqui.

Gosto de mensagens enigmáticas, repletas de símbolos cuidadosamente viciados, em que se dá total liberdade ao espectador de interpretar ao seu agrado, com base nas suas experiências e gostos pessoais. Muito pode ser dito sobre aquele vídeo, mas eu não vou dizer mais nada!

Jantar de família

Para quem desconhece, a medusasss tem família, aliás, todos os moribundos deste blog têm família, e estranhamente, tirando a esquizoide, pela qual não ponho as mãos no fogo, somos todos gente mais ou menos equilibrada! Estranho, não??
A acção passa-se num jantar de baptizado, em que, como sempre, a medusasss ficou ao pé dos primos mais novos, e cansada de ouvir os miúdos a discutir pela posse de um carrinho velho de metal e um carro de bombeiros, decide contar uma história...
Msss: Vocês querem ouvir uma história?
Primos: Simmmmmmmmm!!!
Msss: Então vamos lá a ver, S., dá-me os carrinhos. Ia este carro muito bem na autoestrada... e ia em excesso de velocidade, quer dizer, ia muito, muito rápido. E como vinha de uma festa, tinha bebido uns copitos e já vinha alcoolizado, quando surge uma curva no caminho, e ele não teve tempo de reagir e pimba! Foi a capotar pela ribanceira abaixo (isto é capotar - demonstro com movimentos alusivos, utilizando o carrinho de brincar - e isto é derrapar, e isto é fazer piões).
Primos: (silêncio profundo, olhos arregalados a olhar para mim)
Msss: Alguém chama a ambulância, que é o número... 112 (tenho grandes talentos pedagógicos escondidos), e vêm os bombeiros. Como o carro ficou completamente destruído e não conseguem tirar o condutor, têm de serrar a parte de cima do carro. Lá dentro é só sangue, sangue por todo o lado!
Primos: (com os olhos ainda mais arregalados)
Msss: Levam o condutor para o hospital, que tinha as pernas partidas e uns arranhões muito feios, e tará, vitória, vitória, é o fim da história!
Primos: uau!... Contas mais uma!
Msss: Não tens aí um helicóptero? Não? Então fica para a próxima. Vá, vão comer a sobremesa!

É cada vez mais difícil hoje em dia surpreender os miúdos!

sexta-feira, novembro 09, 2007

Magia

Entreguei a tralha toda na secretaria, e tirei a manhã só para mim, o que em bom medusêsss significa tirar uma manhã para fazer aquelas coisas que ando a adiar porque não tenho tempo.
Num passo rápido, dirigi-me para a faculdade velhinha, e enquanto subia as monumentais, a brisa começou, leve e fresca, a retirar delicadamente as folhas douradas, suavemente ondulantes, em danças oscilantes, quais estrelas cintilantes que alumiam a cave escura dos pensamentos que carregava comigo. E tudo em meu redor eram minúsculos pontinhos de luz quente.
Parei e naquele momento fui feliz. E enquanto subia os restantes degraus, senti que já me estava a despedir da cidade, que tinha sido minha mas já não me pertencia: tinha-se escapulido sorrateira enquanto eu desfiava pragas de como estava farta, cansada, de como me sentia subjugada pela inércia que a domina.
E revisitei aqueles cantinhos todos que me pareceram tão convidativos agora que já não me pertenciam.
Adeus.


P.s.: Estranhamente só me vou embora daqui a uns meses, mas sabe bem viver a nostalgia enquanto cá estou! Já combinei umas saídas maradas e vou ficar tão fartinha, mas tão fartinha, que as pragas vão soar ainda mais terríveis!

quinta-feira, novembro 08, 2007

E Ju Jitsu? Não?


Estou a pensar inscrever-me nas aulas de Ju Jitsu. Objecções?

Basset Hound

Não quero com isto dizer que as coisas que tenho dito ultimamente têm sido influenciadas ou provocadas por quaisquer problemas gastro-intestinais. Não, as diarreias cerebrais têm causa completamente diferente: defeito de fabrico.

quarta-feira, novembro 07, 2007

French Poodle


Adoro andar de transportes públicos! É que nasci para ceder lugar a velhinhas (quando mal me aguento com os satos altos, mala do pc e não sei quantos códigos e papelada mais), engolir em seco cheiros alheios e ouvir das coisas mais aberrantes possíveis.
Gosto particularmente quando as mulheres, que vivem nas aldeias dos arredores, saem das empresas de limpeza onde trabalham e carregam consigo o cheiro a lixívia. São rostos marcados, sulcados de rugas profundas, olhos baços e cansados que só se animam quando encontram as companheiras de infortúnio.
Se uma cara cinzenta não alegra ninguém, quatro caras cinzentas, momentaneamente ruborescidas pelo "prazer" do "combíbio", com quatro monocromáticos, mononeuroniais e confusos pequenos encéfalos, não alegram, enfurecem Jó e demais personagens bíblicas conhecidas pela paciência.
Destas quatro personagens, chamemos A, a fêmea alfa, que controla a conversa, fala pelos cotovelos e opina com extrema segurança sobre ABSOLUTAMENTE TUDO, e as outras, as outras, já que limitavam-se a rir, sorrir, ahã, pois, eu..., sim, está muito certo e pois é.

A: Olha aquela! Aquela ali, mesmo aqui à frente, ó cegueta! Aquele cabelo já ia à tosquia. Parece daqueles cães pequenos, como se chamam? Isso, caniches! Ahahahaha

Enfurecida olhei-a por detrás dos meus óculos escuros, dardejando faíscas mortíferas e ainda pensei em responder, qual kender, que o cabelo dela já não via água há muito, a não ser os habituais salpicos de lixívia para perfumar, que se era casada não se vislumbrava qual teria sido a fonte da paixão, convictamente morta em tempo oportuno, que na imaginação da medusasss corresponde ao momento imediatamente a seguir ao "coitus interruptus"... e pensei: são 4, têm braços e mãos fortes, e nem sequer é comigo (sim, a medusasss tem cabelo liso e sedoso, quem diria?).
Fiquei calada... mas a coisa persegue-me e para a próxima vou dizer: não sabe? É grande moda em Paris. Devia experimentar, ficava-lhe bem.

Lets get out of this country!!!

Dedico a esta música a todos aqueles que acabaram de vir do estrangeiro e empancaram com o corridinho nacional (que para o nosso gosto é sempre demasiado lento).
Dedico especialmente esta música à Maria! Pensa bem Maria, vens do frio, apanhas com Verão extemporâneo, ainda podes apanhar uns banhinhos de sol e ficar crestadita...




Os Camera Obscura são uma banda de Glasgow com bastante piada... querem mais uma musiquinha, querem, querem (eu a abusar no youtube... mas ele gosta)?

Ora pois, Lloyd I'm ready to be heartbroken... Espero que valha a pena, com um nomes desses! E o Lloyd do video é bailarino! Gosto da maneira como põe as mãos... muito... sui generis... Ah, Lloyd! Não é assim que se agarra numa menina para dar umas voltinhas, é mesma na cintura, sabes, a mão encaixa e parece que fica colada! Acho que já sei porque razão a menina está pronta para partir o coração, com tanta voltinha não consegue vislumbrar a peça que a aguarda. Não queria este Lloyd para mim, é que com este ia mesmo ficar heartbroken!


Papel prata


"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria!
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida)."
Excerto da tabacaria de Álvaro de Campos

O olhito baixo da foto não é de uma pequena suja e gulosa, nem podemos nós comer tantos chocolates como queremos (o colestrol, a celulite, engordar, a alergia), mas neste pequeno e sublime texto do heterónimo de Fernando Pessoa reside toda a verdade! O segredo é afogar as mágoas, não em alcool (sabemos que o absinto nunca fez nada por ele), mas em comidinha requintada,
E um caril de frango, bem condimentado, acompanhado de arroz basmati já se comia, assim como, para sobremesa, uma fatia de bolo de chocolate, húmido, denso, nem demasiado doce nem demasiado amargo: perfeito! (vê-se logo que ainda não almocei)
Há que relativizar e ver aquilo que de bom temos. É uma técnica miserável, que só nos conforta porque não estamos tão mal como podiamos estar, nem como algumas pessoas estão, mas também... que querem? O ser humano é egoísta por definição, não vou andar cabisbaixa porque há fome, morte, loucura e velhice no mundo.
Não vou andar pelos caídos, mas espero não ter a insanidade de fazer um doce de leite condensado este fim-de-semana... isso era a morte da artista!
Always look at the bright side of life... E como já dizia o outro, "estar Vivo é o contrário de estar Morto"! ahahah

terça-feira, novembro 06, 2007

Conquest

The White Stripes - Conquest

Porque a vida é para ser vivida intensamente ao som de música animada. Blues? Some other day.

In a manner os Speaking

Nouvelle Vague - In a manner of speaking

Afinal o Inverno ainda não veio, e a amplitude térmica veio para nos desgraçar as endorfinas (Hidrargirum, agarra-te ao lítio).

(adoro a música, fartei-me de procurar por um video melhorzito que este, que está cheio de coraçõezinhos e cenas clishé... blec! Porque razão uma música tão perfeita é logo conotada com o pior sentimentalismo feminino que há? E um pouco de elegância e dignidade? Isso já não se usa?! Mulheres, se sofrem de amor, façam-no com classe!)

How geek are you???

Beautifull, 52% geek... Não sei se hei-de ficar contente ou preocupada... Eu bem vi geekiness a subir quando respondia acertadamente a perguntas da obra de Tolkien ou Star Trek... mas isso é cultura geral, não é?

E os leitores? Serão mais ou menos geek? Lá porque leio sempre os efeitos secundários da medicação (sabiam que o bruffene dá insónias) e o manual de instruções... aaaaaaaaaaaaaaaaaarg!

Jeremias - O Fora da Lei

Jeremias, o fora da lei... com sorte é absolvido!

Youtube dedicado às distintas colegas. Que a letra invoque em vós as mesmas memórias! eheheh

Atenciosamente, a colega SEMPRE ao dispor,

medusasss

O Louco


Hoje vi um louco. Tinha um olhar alucinado, de quem nada tem e nada teme... cheio de cólera, insane, gritava, berrava MALANDRO! POOORRA! VÊ O QUE ME FIZESTE! As pessoas passavam por ele e nem o olhavam, era como se fosse invisível. E quanto mais o ignoravam, mais ele berrava MULHERES PORTUGUESAS, NÃO HÁ NINGUÉM COMO EU!!! E gesticulava, esbracejava loucamente, ao ritmo íntimo do seu caos interior... lunático, não se lhe via uma centelha de razão... E a rua escurecia, a sombra crescia num entardecer cada vez mais frio e roubou-lhe o calor das afirmações desconexas. Deixei de o ouvir.

Mistura-se agora inconfundível no meio da turba que regressa a casa, de rosto cabisbaixo, a esconder os olhos ardentes de um fogo interior que não se apaga, de um sofrimento atroz de se sentir o dono do mundo e não ter nada.

segunda-feira, novembro 05, 2007

A melhor banda de Coimbra

Lição de Moral (prostituição universitária) dos Tu Metes Nojo, a banda Punk-Rock mais louca de Coimbra, também designados de Noise Nojo. eheheh

Urge dar uma polidela aos escandalizados leitores que estão a assistir ao video... TU METES NOJO é banda para ser conhecida pelo absoluto inconformismo das letras, com temas tão sugestivos como O Rei Vai Broas, Zé Manel Tai Tai, Stick Stick, Tu Metes Nojo - Hino Nojento, Passatempo e Violador. Foi, aliás, o conteúdo demasiado descritivo da música Violador - "Hoje acordei com vontade de violar uma estudante universitária" - que ditou o fim da banda com a expulsão da Festa das Latas de 2000 pela AAC (Associação Académica de Coimbra). Para aqueles que já foram estudantes de Coimbra, aquele foi um concerto memorável.

Marcaram uma época, em que Coimbra era a capital do Rock, Yeah!

Hoje foi a cobrinha puck-rocker-anarquista a ditar o tema do post: "desta porcaria toda sabem o que eu acho? A torre universitária devia vir abaixo!"

domingo, novembro 04, 2007

A verdadeira Trilogia da minha vida






Trois Colour, de Krzysztof Kieślowski, é sem margem para dúvidas a Trilogia da minha vida.


Corria o ano de 2000, era a medusasss uma caloira de direito quando numa noite de serão familiar viu na RT2 Trois colour: rouge. Lembro-me que era uma noite chuvosa de inverno, o mundo parecia acabar do lado de fora dos janelões, e o fogo crepitava forte... e era tarde! Deixei-me ficar e assisti fascinada ao dealbar do meu sentido de Justiça.
Quem somos nós para julgar os outros? Quem somos nós para escolher o seu castigo, para determinar o seu caminho, para pensar, ensandecidos de poder, que temos a capacidade de ressocializar os outros, à força.
Rouge levantava questões importantíssimas para uma jovem impressionável de 18 anos: urgia repensar todo o nosso sistema judicial, todos os princípios jurídico penais. Era urgente mudar o mundo! Devaneios! Quem nunca sonhou?




Foi só um ano depois que consegui ver os outros dois filmes da trilogia. Trois Coulour: Bleu veio ao meu encontro de uma maneira tão fantástica como o primeiro me tinha seduzido numa noite fria e invernosa, numa improvável prateleira da Casa Municipal da Cultura de Coimbra. Se Rouge me atraiu pelas amplas possibilidades de um prisma já entrevisto mas nunca explorado, Bleu conquistou-me pela absoluta singeleza do belo, pela sensibilidade ditada por pequenos pormenores repletos de múltiplos significados. Sobretudo pela imensa capacidade criadora do Amor, aquela capacidade de amar desinteressadamente e sem limites.
Já revi este filme muitas vezes e o final para mim é sempre pungente, dá vontade de aprender grego para poder cantar com aquele coro, para poder participar, por uma vez que seja, na criação de algo tão magistral.



Trois Colour: Blanc não me chamou muito a atenção. Causou-me estranheza. Dos três é o mais louco, o mais imprevisível, o que tem como mote a igualdade, mas que estranhamente eu associo à paixão. Também gosto dele à minha maneira: é bom sermos surpreendidos e obrigados a aceitar que não temos todos de amar/pensar da mesma maneira.
Contudo, penso no Trois Colour: Blanc como aquele filme menos bom que todas as trilogias têm, para passar o testemunho a quem achar que pode fazer melhor.
E esta é a trilogia da minha vida. Bleu, Blanc e Rouge, as três cores da bandeira francesa, criada sob a égide dos princípios da Revolução: Liberté, Égalité et Fraternité.
(não tem nada a ver com o Matrix, pois não?!)

Para afixionados de trilogias...


Eu sou Matrix! Podia ser Star Wars, mas sou Matrix... e não é que faz todo o sentido! (yeah!)

Você vive no seu próprio mundo e tem dificuldade em aceitar que lhe imponham regras. É inconformado e por vezes mesmo desconfiado, mas com um grande instinto de sobrevivência. (Sobrevivência: sou eu)

Dilectos leitores, toca a experimentar e a partilhar a vossa trilogia aqui com a medusasss!

sábado, novembro 03, 2007

Acabei, acabei! Sou a maior! mereço o meu momento de lôcura!

Dá-me disto quando concluo de uma maneira satisfatória algo que considero difícil...

Ora toca lá a cantar!
tu andas sempre descalço tom saywer!
junto ao rio a passear, tom saywer!
mil amigos deixarás ,aqui e além,
percorrer o mundo, viver aventuras!!!

E isto deixa-me feliz... num instante lembro-me de como ver desenhos animados era um momento religioso em minha casa... e como me esforçava para me portar bem, para poder assistir a todos os episódios... como tinha pavor do Indio Joe (que agora não mete medo a ninguém), e de ter tido pesadelos durante noites consecutivas à custa daquele episódio em particular, em que o Tom e o Huck assistem escondidos ao assassinato do jovem médico da aldeia, no cemitério local... E como nunca vi o último episódio, nem do Tom Sawyer nem da Bia, a pequena feiticeira (alguém se lembra??? bêa, Bêa bábé, beibábi bêió babebibó, beiubu babêbibóbu...), ficava sempre de castigo! Pouca sorte!
E para reforçar o meu estado de espírito, tenho aqui a versão original, e a versão francesa... só para afixionados!

sexta-feira, novembro 02, 2007

Dr Jekyll and Mr Hyde

Isto de responder a apelos geralmente descamba num atropelo de solicitações que nunca mais têm fim. Não é este o caso.
Hoje à noite vou ter de ficar a trabalhar em frente ao computador: 2 prazos impreteríveis assim o exigem. Não estou sozinha, tenho a Wimoe à distância de um click!
Estava muito bem a pensar em excesso de legítima defesa, quando a luzinha laranja interrompe o meu raciocínio e "não sei de hei-de rir ou se hei-de chorar". Fiquei logo aflita. Logo mil ideias percorreram esta cabecinha multi-sibilante. Umas cobrinhas sibilavam "recusaram-lhe a tese de mestrado", outras arguiam "não! o orientador foi para o estrangeiro!", outras ainda, valdevinas "meteu-se foi com ela"... e eu no meio desta confusão de vozes perguntei: "Então?".

Tenho um colega alemão de mestrado que é a personificação de tudo o que é estranho. Tem 20 e poucos anos mas aparenta ter 50... fala e ri sozinho, tem uma barba de semanas, descuidada, e um aspecto magro/escanzelado... E está sozinho comigo no LABORATÓRIO! Estamos em permanente luta porque quero a porta aberta (pudera), e não me consigo concentrar porque está a ouvir alto música barroca, e a rir-se sozinho (medooooo...).




Esperemos que o teu colega alemão não visite este blog (mas já me dizia outra amiga, Portugal é um penico), mas... TENS DINHEIRO NO TELEMÓVEL? TENS BATERIA? TENS REDE? SE AMANHÃ NÃO ESTIVERES NO MSN CHAMO A POLÍCIA!!!
Entretanto este episódio fez-me lembrar o laborioso Dr. Jekyll e o caótico Mr Hyde, nas magníficas ilustrações do Mattotti, que como nós sacrificava noites em prol da ciência... cof cof

Surrealismo puro e duro

A querida Leila*, comadre de blog e vacaria, lançou-me o repto, e como sou medusasss para aceitar desafios, aqui vai:

O desafio consiste em criar 5 afirmações gritantemente surreais e escrevê-las.
Em seguida passa-se o repto a outras 5 pessoas.
Ora cá vai disto:


1º:
Sonhei que me mataste ou é realidade?
2º:
Amor, amor, acabei de ver a tua mulher a passear de braço dado com o JFK, tinha um casaco igualzinho àquele que me ofereceste.
3º:
Esta mala Louis Vitton é €19.000,00.
4º:
Eu e deus somos amigos pessoais, conversamos todos os dias.
5º:
Não há nada que me deixe mais feliz do que ficar horas na fila das Finanças para pagar.
E agora os (in)felizes contemplados com a corrida de estafetas:
-Durkheim
-Black Catdog
-Pedro A.
-Su
-Maga

Rua da Ilha - O retorno da velha

Viver na Rua da Ilha não era aconselhável a cardíacos, e muito menos a pessoas nervosas que sofressem de ansiedade ou depressão nervosa: a velha acordava todas as manhãs às 8h00, punha as torneiras no máximo (quando uma de nós estava a tomar banho), e às 9h00 ouviamo-la a regressar para a cama, exalando suspiros de satisfação.
A gata velha e ninfomaníaca tinha o péssimo hábito de se tentar esgueirar para dentro dos nossos quartos, onde deixava lindos e bem cheirosos presentes em cima das colchas, sacos de viagem... já que a carpete era o último recurso de malvadez, quando não havia tempo suficiente para alcançar os outros locais.
Lembro-me, daquela deliciosa vez em que a velha perdeu as chaves. Ela que nunca perdia nada! Que, salvo o devido respeito que é muito, era a perfeição em pessoa, cuja letra infantil não era grosseira nem o seu português cheio de erros. Nós, vulgares mortais, é que não nos apercebiamos da genialidade em forma humana, que constamente se revelava sob a forma de GÉNIO DO MAL!
E pois que aquela casa era o seu último reduto, e o seu objectivo de vida era transformar a nossa vida num Inferno, à semelhança da existência dela, sem perder os tostões ao final do mês...
Contudo a vingança é um prato que se serve frio, e que se saboreia ainda melhor quando nos é colocado no caminho por circunstâncias para as quais não tivemos qualquer influência.
Quis a sorte que numa 5ºa feira da Reunião das Testemunhas de Jeová, onde a velha ia, e continua a ir, aprender mais umas técnicas de controlo mental, e aulas muito sábias de bem pensar, se atrasasse... e a última menina a chegar a casa (eu) visse a porta sem papeis, e toca a correr o fecho. A velha panicou tanto que por pouco me pareceu que ia ter um ataque cardíaco...
Confesso que fiquei genuinamente aflita, porque apesar de não ter noções nenhumas de primeiros socorros (homicídio por omissão), no máximo ligaria ao INEM, jamais dedo meu tocaria naquele relicário da maldade popular.
Pois, panicou mas aguentou-se firme, que a maldade dá-nos sempre razões válidas para continuarmos activos, e no dia seguinte já estava toda fina a tecer comentários depreciativos sobre C, que tinha desenhado cachorros de propósito no papel higiénico só para a chatear (Scotex... desenho de fábrica... impressão automática... duh!!!), e comentando em voz alta (nós eramos muito más, deixavamo-la a falar sozinha) que a tragédia de Entre-os-Rios tinha sido castigo de deus, que eles iam todos era com o tintol em garrafões, e que tinha sido muito bem feito.
E nós, quando tinhamos de olhar/passar por ela, adoptavamos postura erecta e rígida, puramente defensiva, não fosse dar-lhe um acesso de loucura e tentar bater-nos.
Há dias encontrei-a na baixa... eu estou mais velha, mas ela está na meeeeeeeesmaaaaaaaaaa!

quinta-feira, novembro 01, 2007

Porque hoje é feriado!


Lembrei-me agora de uma possível relação entre a palavra feriado... e a deusa nórdica do amor, de seu nome Freia. Apesar do epípeto da deusa se assemelhar à portuguesa palavra feia, sou da opinião que quando os antigos decidiram criar dias mais ou menos santos em que andaríamos todos por aí alegremente, a fazer o que nos dá na real gana, lembraram-se da amorosa Freia, que qual Afrodite ou Vénus é deusa de sagaz apetite. E vai que os freiados é para pôr as contas em dia!
Sim... divirtam-se... a medusasss está de castigo em casa... e constipada!

the ghost of a dying kitty

Não corria uma aragem. O frio entranhava-se nos ossos, percorrendo calafrio a calafrio as minhas costas. Não corria uma aragem e não se ouvia um som. Nada crescia naquele lugar. Não era um nada absoluto, mas havia uma ausência de qualquer coisa mediatamente palpável, como se a ausência dessa coisa nos quisesse transmitir algo, que uma vez descoberto reverbaria em luz, calor e sabor.


Não sei...


Percorri calada aquele local, fechada sobre mim mesma, abraçada ao cachecol, confiando na macieza da lã para me confortar, aspirando o ténue cheiro do meu perfume, sentindo que um som era um insulto, respirar uma blasfémia.


Não sei quantas noites voltei ali, secundada por uma perigosa intuição do que me esperava, por uma controversa sensação de deja vu, por um querer violar o silência sepulcral, soltar um grito, e assim libertar a violência caótica de se estar vivo e são!


Hoje fui um pouco mais longe. Não fiquei a poucos passos da porta. Enchi-me de coragem e passei o hall de entrada e descobri a razão de revisitar este local todos os dias nos meus sonhos demenciais, que entrecortam as minhas noites de vigília.


Hoje sei que nunca mais sonharei: encontrei-me.