domingo, julho 13, 2008

Coincidências daquelas II

Há quem dê um especial valor às coincidências. Eu confesso-me céptica e ponho-as no lugar que elas merecem. Sei sempre quem me está a telefonar antes de atender, não porque o nome esteja no visor (engraçadinhos), nem pelos toques personalizados (que já nem me dou ao trabalho): oiço o primeiro toque e sei: é a mãe, a tia ou a mana... Não sei porquê mas só funciona com estas três pessoas, talvez por serem as três pessoas mais importantes na minha vida... e quantas vezes não acontece descobrir o telefone interrompido, por também terem sentido o apelo de falar comigo.

Mas são coincidências, não passam disso mesmo mesmo: coincidências.

Se fosse supersticiosa e acreditasse no poder das ditas coincidências, ter-me-ia concerteza lançado de cabeça em relacionamentos estranhos e bizarros, desculpada pelo destino que nos quereria hipoteticamente juntar, quando na verdade apenas e tão somente partilhávamos os mesmos (bons) gostos sobre ambientes, bebidas e música.

E a acrescentar a todas estas histórias da carochinha, qual cereja em cima do bolo, ouro sobre azul, ou no meu caso, coffee and cigarrettes, eis que as coincidências não têm modo de desaparecer da minha vida.

Todos os Domingos os aviões andam doidinhos a sobrevoar os pinhais em redor da plácida localidade em que habito, voos rasantes aos pinheiros, insistentes, chatos! Não falha uma tarde de Domingo: o filmezinho da treta e o silvar dos motores dos aviões.

Talvez o mais avisado dos leitores esteja a imaginar que tal se deve por me encontrar perto de um aeródromo (condutores de Domingo de aeroplanos, olhem só que rica ideia!), ou que a minha humilde habitação esteja nas proximidades de alguma base militar. Mas não! Não!

Imaginemos as coisas assim:

Domingo. Dia Santo. Missa na sede da paróquia às 11h00. Compro tremoços na menina Augusta que se senta nos degraus e depois dois dedos de conversa com os compadres "Vejam lá que morreu o Fernandes, de cancro, foi a próstata, coisa ruim". Enquanto oiço as conversas acaricio o isqueiro que trago no bolso e pergunto "Compadre, dá-me lume? Esqueci-me dos fósforos em casa! Sabe o compadre que até tenho medo de andar com essas coisas nos bolsos, ainda me acusam de montar incêndios." Deixo-me andar a ver as famílias regressarem a casa, bebo uns copos na tasca da Benilde antes de me aviar: "Pernas para que vos quero". Não preciso de andar nem 600 metros para encontrar pinhais, olho por cima do ombro para ver se há alguém...

E os leitores pensam: que raio tem o facto do homem querer dar uma mijinha em paz, em plena natureza, com os aviões a sobrevoar a terreola da Med a baixa altitude?

Pois caros leitores, é fatal como o Destino, mas todos os Domingos temos incêndios no pinhais perto das nossas casas. É sempre fogo posto, com 2 a 3 pontos de ignição. Nunca atinge grandes proporções porque por cá ainda temos os pinhais limpos, e as terreolas são tantas, todas tão próximas e tão densamente povoadas que todos os meios aéreos necessários são prontamente disponibilizados.

E eu questiono-me... se é sempre mais ou menos à mesma hora, porque razão o homem ainda não foi apanhado? Há, de facto, cada coincidência...

9 comentários:

Alex disse...

Essa palavra existe no dicionário: "Coincidência - s. f., simultaneidade de dois acontecimentos;concordância; justaposição; identificação de duas ou mais coisas; acaso.". No MEU dicionário não, não existe...
;O)

ZaniNE disse...

Pois eu acredito no poder das coincidências!!! As coisas acontecem por uma razão: encontrarmo-nos com determinada pessoa, perdermos o comboio, ligarmos a um amigo - naquele exacto momento deve ter uma razão de ser?

Mas, por outro lado, eu sou supersticiosa...

Garras disse...

uma coisa sao as coincidencias outra distinta sao as "cagadas".

Tropecar numa treta kker e nao cair, e logo a seguir outra personagem ter o mm azar é coincidencia.
Ires a um local que raramente visitas e encontrares uma pessoa que ha muito que nao se deixa ver, e coincidencia.

Entrares num qualquer sitio e dares de caras exactamente com a pessoa que querias/precisavas é "cagada".

Its just luck!

medusasss disse...

Alex, precisamente por não acreditar em coincidências é que me recuso a tirar ilacções de factos que ocorrem com uma certa insistência e simultaneidade na minha vida. :p
***

Zanine, cada um acredito no que quiser... eu sou profundamente agnóstica, problematizo tudo, não acredito em praticamente nada!
Sou uma absoluta descrente... com grandes excepções que fazem de mim uma palerma!
***

Garras, não acredito em coincidências nem em sorte, por isso a tua noção de "cagada" não veio acrescentar nada ao meu léxico. :p
***

Rita disse...

Pois eu acrediro em coincidências e até gosto daquelas agradáveis que acontecem de quando em vez mas para mim são apenas isso, meras coincidências, e não têm nada de fatídico...
Jokas

Pearl disse...

Realmente, tens razão...
E é triste constatar isso... eu tenho pavor de incêndios e consequentemente uma raiva incessante pelos incendiários...
mas mudando de assunto, olha, medusasss, tens um desafio giro giro lá no lágrima...

:o)))***

Pearl disse...

Ohhhhhhhhhh...
Pronto... como começoa ler de trás pra frente não me tinha apercebido que já estavas caricaturada...
paciência...
Anyway, o desafio já está respondido...
:o)))***

Maria disse...

Ai Med tenho de ser honesta se me citasses Margarida_sou_muito_má_porque_digo_fodasse_Rebelo_que_rabisco_livros*_para_tias_Pinto, acho que te batia!!!
Mas agora que li não é preciso chamar o Padre para te exorcizar!!
Beijinhos

PS: Peço desculpa aos génios literários que realmente escrevem LIVROS, aquilo é mais rolo de papel higiénico, mas também não quis ser muito mázinha!!

Maria disse...

Peço desde já desculpa a todos os fãs dessa senhora, gostos não se discutem!!! Há, também, quem delire com o Tony das Camionetes!!!