
Não posso deixar de pensar que os tempos que vivemos são de mudança, vivemos no início da era das vacas magras: o european life of style está em risco, os alimentos todos os dias ficam mais caros, a crise dos combustíveis, a crise dos cereais, a greve dos camionistas (e os serviços mínimos? E o respeito pela liberdade dos outros? Greve sim, terrorismo não!), todas os postos de abastecimentos de combustíveis esgotados, os supermercados praticamente vazios... confesso que me sinto muito preocupada com tudo isto.
Por enquanto os irresponsáveis ainda têm os depósitos cheios para andar por aí a festejar a vitória de Portugal sobre a República Checa a buzinar pelas ruas da cidade, mas se esta greve se mantiver durante muito mais tempo as consequências serão terríveis: há alimentos que não foram devidamente escoados e pereceram, pondo em risco empresas que desde a escalada nos preços dos combustiveis se esforçam por manter os preços acessíveis ao consumidor final, manobradas pelas grandes superfícies; na próxima segunda-feira muitas pessoas não poderão ir para os seus empregos por falta de combustível... aliás, está tudo em risco de falência: o INEM, os bombeiros, os transportes públicos, ninguém tem reservas de combustível para estas situações. O país vai sobreviver a isto como?
O senhor Primeiro Ministro é assim tão importante que não faça um comunicado à Nação a explicar o que se passa? E tranquilizar as hostes? E tentativas de negociação?
Quando era mais nova e falávamos do futuro que nos aguardava, lembro-me que todos almejávamos ser classe média: instruída, séria, trabalhadora e responsável. Nem todos pensam assim, conhecem as minhas críticas para com os meninos mal-educados cujo objectivo de vida é serem patrões para porem os outros a trabalhar por eles, mas custa-me ver todos aqueles que não são assim verem projectos de vida tão simples como sentirem-se realizados profissional e pessoalmente assistir impotentes à destruição de todas as expectativas.
Liberdade, Fraternidade e Igualdade: parece-me que cada vez mais são valores caducos que cederam espaço ao individualismo acéfalo. Penso no orgulho que tenho em ser europeia, na cultura de tolerância e solidariedade em que fui educada... e sinto-me abandonada.
Mas avante! Nem tudo no mundo são tristezas! Se amanhã a rede de expressos ainda tiver combustível vou para Lisboa gozar o Santo António... e acabei de comprar a edição especial do "Trois Couleurs", uma autêntica raridade! Sempre que sentir nostalgia dos valores da velha europa, poderei ver e rever estes filmes, as vezes que me apetecer, sem me sentir constrangida por não respeitar direitos de autor.
