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quarta-feira, abril 09, 2008

"clister" de mau gosto

Anda por aí a circular na blogosfera um diz que é uma espécie de questionário que indaga aos deuses porque razão comezinha nós actuais bloggers decidimos construir os nossos blogs, e andar por aí, consequentemente, a propagandear a nossa maneira de pensar e estar.

Pois bem, seguindo então a piada básica da pseudo-tia desinformada, a minha razão inicial é toda ela um clister de mau gosto (clishé de mau gosto para os bloggers mais desatentos).

Ora vejamos, meus caros, eu não tenho blog! É a mais pura das verdades! A medusasss não canta a solo!

A medusasss, em idos de Agosto, do (santo) ano de 2006 (que o tenha a glória do Senhor), foi convidada pelo seu amigo Moribundo para deixar de lhe ressabiar o éme ésse éne, e quiçá fazer alguma coisa útil para mim e para os demais, e tratar de desenvolver as ramificações neurais criativas que, queixava-me eu, desconsolada, tinham sido destruídas aquando da grande guerra empreendida contra os professores doutores, doutores e demais mestres em qualquer coisa remotamente ligada ao direito.

Ora pois... a moi même envergonhada com o "desmerda-te", meteu dedos ao trabalho, e juntos andaram os dois, azafamadamente, a escrever para as moscas, já que escrever é fácil, bloggar requer um pouco mais de savoir faire!

E vai que o Blog renasceu em meados de Setembro, ainda não se sabe bem por alma de quem, e conheci a MeHate, o Hydrargirum, a Tulaunia, a Maria, a Leila*, a Mik@, a Maga, o Ruca, o BlackCatDog, a Pearl e o Rafeiro... e mais tarde a outra Maria, a Artemisa, a Cabra Expiatória, o Alex e a mana Lurdes, a Olá!, a Rita, a Hannah, o Mokas, a Cat, o Trindade, o Zé do Cão... e o blog ficou mais animadito, não é verdade?

E pois que é assim: sou blogger mas não tenho blog. Participo nalguns blogs cujos donos tiveram o desvario de me convidar, e cá vou andando, menos nestes últimos meses... but wait me, I'll be back! :)

A todos os supra citados e a todos aqueles que por lapso não referi, grazzie tante pela visita e pelos pedacinhos de si que deixam em cada leitura. Este blog há muito que teria deixado de existir sem vocês... é que escrever para o boneco é muito giro, mas passado algum tempo deixa de ter piada!

sábado, julho 14, 2007

Insonso comum

Às vezes só me apetece mandar para bem longe de mim (eufemismo desconcertante) os sabichões de sabedoria popular, que costumam dizer displicentemente, como se não fizessem mais nada na vida que ter a razão do seu lado: "descansar é mudar de actividade", "pareces um pau de virar tripas", "quem não quer cavalo manchado anda a pé"...

DESCANSAR É MUDAR DE ACTIVIDADE
Quem inventou esta pérola do relicário popular devia ser condenado a substituir Sísifo para TODA A ETERNIDADE (que não é assim tanto tempo, uma vez que depois de enrolar a pedrinha lá para cima, podias sempre descansar a vê-la descair e rolar elegantemente monte abaixo).
Sim, quem tem a audácia de repetir esta intrujice das duas uma: ou quer que trabalhes "à borliú", ou não sabe o que é a exaustão. Sim... Essas pessoas de boa vontade, "vá lá, faz o favor, não custa nada, descansar é..." deviam ser todas condenadas a 2 meses de insónias!

PARECES UM PAU DE VIRAR TRIPAS
Que expressão gira, não é? Deve significar mais ou menos que a pessoa em questão é muito magra... assim como quando as pernas parecem canetas ou canivetes... Pois, estas coisas populares são óptimas para demonstrarem como nós, pessoas desenvolvidas, não repudiámos o nosso passado rural da aldeia, e nos damos bem com a populaça...
Pois "chérrie", mas pau de virar tripas é um pau com uma curvatura na ponta, que serve, literalmente, para virar as tripas com que depois se fazem chouriços. E a tarefa não é encher chouriços. Descodifiquemos: Pareces um pau destinado a revolver o intestino delgado e assim limpar a matéria orgânica que lá se aloja, para mais facilmente se fazerem enchidos tradicionais.

QUEM NÃO QUER CAVALO MANCHADO ANDA A PÉ
Esta, confesso, é a minha favorita... de verdade! Esta é a expressão mais conservadora e "ai credo, vais-te divorciar?" que existe no imaginário popular das nossas tiazinhas, avózinhas e demais vizinhas.
No imaginário destas senhoras, casamento de branco não implica necessariamente virgindade, nem um curso superior uma boa formação ou um bom salário ao fim do mês... Mas há mentalidades que custam mais a mudar: "Ai, filha, outro namorado? Então e aquele que era tão simpático, que sempre que passava pela minha janela me dizia adeus?", "A filha da Telma é uma assanhada! Já levou a casa 3 namorados! Sim... ninguém a satisfaz, é o que fazem os novos tempos... experimentas, experimentas e depois nada te serve... na minha altura não dava para experimentar nada..."

Pois... o senso comum já não é bem o que era... não que mudem-se os tempos, mudem-se as vontades. É preciso ter discernimento para pernsarmos nós próprios no nosso sistema de valores e criarmos a nossa própria sabedoria.