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segunda-feira, novembro 10, 2008

A origem da Medusa

Já muitos me perguntaram qual a origem da Lenda da Medusa, e como quem conta um conto acrescenta um ponto, aviso já que há várias versões da mesma história, pelo que aquilo que se disser aqui poderá não corresponder à versão que já conhecem.

Conta a lenda que as Górgones eram três irmãs (Esteno, Euríole e Medusa) de esplendorosa beleza, e de tal forma belas que se assemelhavam demasiado aos próprios deuses do Olimpo, atraindo as suas atenções e também a sua inveja.

Uma das Górgones, a Medusa, foi assediada de um modo bastante agressivo por Poseidon, deus dos mares e oceanos, e ambos estavam tomados de uma paixão de tal modo incandescente que nem respeitavam os locais de culto, tendo sido surpreendidos por Athenas, a deusa da sabedoria e da guerra, em actividades menos próprias dentro do seu próprio templo!

A decorrência de tal episódio é celebre: Athenas tomada pela ira e pela inveja da beleza da Medusa, transformou os seus belos cachos de cabelo em serpentes venenosas, deformou-lhe as feições e cobriu de escamas a outrora sedosa e macia pele. E, como achasse que tal castigo não era ainda suficiente, amaldiçoou-a com a solidão, já que todo o ser vivo que fitasse os olhos da Medusa era automaticamente petrificado.

Como ambas as irmãs da Medusa eram cúmplices no esquema dos encontros no templo de Athenas, a deusa condenou-as a uma eternidade de miséria e loucura, tendo-as desfeado e dado apenas um dente e um olho, que as irmãs tinham de partilhar.

Conta a lenda que Perseu, um dos muitos filhos de Zeus com meras mortais (este não foi pela técnica do cisne: chamaram-lhe chuva dourada... uiii!), para salvar a mãe das terríveis condições inflingidas pelo Rei Polidete, que a mantinha cativa, viu-se confrontado com a obrigação de lhe levar a cabeça da Medusa.

Não sabia Polidete que Perseu ia ter a ajuda dos deuses! De Hermes recebeu umas asas que colocadas nos pés lhe permitiam percorrer grandes distâncias em pouco tempo (o primitivo gato-das-botas), de Hades recebeu uma capa que lhe conferia a invisibilidade (tetra elevado a n avô do Harry Potter) e de Athenas uma espada e um escudo de bronze tão bem polido que reflectia imagens como um espelho.

Apetrechado com estes gadjets primitivos, lá foi o jovem Perseu em busca das Górgones, já que tinha sido previamente informado por Athenas que teria de perguntar primeiro a Esteno e Euríale do paradeiro da Medusa, e usando a capa que lhe conferia invisibilidade, conseguiu surpreender as irmãs em plena troca de olho e dente, instando-as a darem-lhe informações correctas em troca dos seus bens mais preciosos.

Munido dos conhecimentos de que carecia, Perseu dirigiu-se para a caverna da Medusa, num vale sombrio onde não se ouvia vivalma, decorado com estátuas com expressões de grande agonia.

Apesar de tremer de medo, o heroi seguiu as instruções de Athenas e conseguiu encontrar a Medusa e desferir o golpe fatal, decepando-a, olhando sempre e apenas para o seu reflexo no escudo de bronze.

Medusa, na altura grávida de Poseidon, pelo pescoço gorgolejante de sangue deu à luz Pégaso (o lindo cavalo branco alado e cuxti-cutxi, tetra elevado a n avô dos pequenos póneis), que viria a ser domado por Hierofonte, e Chrysaor, que seria o avô da Hydra (um dos sete desafios de Hércules).

No caminho de regresso a casa Perseu ainda teve tempo de salvar a bela princesa Andrómeda do monstro do oceano, e ao chegar ao palácio, gritando à mãe que fechasse os olhos, entregou ao Rei Polidete a cabeça descoberta da Medusa, que mantinha os mesmos poderes e assim petrificou o Rei numa expressão mista de incredulidade e horror.

Depois de muitas desventuras Perseu tornou-se Rei de Micenas e entregou a Athenas a cabeça da Medusa, tal como previamente combinado, tendo-a esta incrustado no seu escudo para assim apavorar (ainda mais) os seus inimigos.