Estava já a estudar para as segundas frequências quando se instalou o desespero. Já entrava pelo quarto adentro sem bater à porta, sem pedir licença. Encontrava as coisas sempre diferentes quando regressava da faculdade... e quando falava disso com os progenitores, esbarrava num muro de total incompreensão: "Oh, no meu tempo era pior! Discutiam connosco porque queriam que só tomassemos um banho por semana, vê lá! Tinhamos de tomar banho às escondidas! Era uma emoção! E na República das Odaliscas... só lavavam a loiça quando não tinham onde comer! Chegavam a andar à bulha só para decidir quem era a pobre coitada que tinha de lavar a loiça com semanas!" - Mas mãe! Eu não tenho de passar por isto. Ninguém hoje em dia se sujeita a uma situação assim?!? - "E no Porto! Vivi numa República que se chamava Já Não É... sabes, com aquela lei da ditadura que proibiu a prostituição, as antigas casas de putas ficaram vagas e só os estudantes é que iam para lá... nós tinhamos um placa a dizer Já Não É para avisar os clientes mais distraídos!" - Mas ninguém me compreende? A velha está a dar cabo de mim. Isto é terrorismo psicológico! - "Filha, não vais sair agora a meio do ano, em plena época de frequências, esperas pelo Verão e depois escolhes uma casa com mais calma".
E a medusasss lá teve de se arranjar com o que tinha... Foi às páginas amarelas e viu: Finanças... ora bem, morada... número de telefone... secção de fiscalização... hummm ok!
- D. Conceição, já lhe disse que não pode entrar no MEU quarto, que pago para poder utilizar, nem quando estou ausente, nem muito menos enquanto cá estou! Está a ver este número? Eu leio para poder compreender melhor! É o número das finanças! É o 239 xxx xxx! Se continua a chatear-me vai ver! Telefono-lhes e depois quero ver como é que lhes explica toda esta gente que tem nesta casa, sem contrato, nem recibos!
Os últimos 2 meses foram de paz...
