sexta-feira, novembro 24, 2006

LIMBO

A capacidade de nos rirmos do ridículo é, certamente, a única coisa que nos salva da loucura prematura. Bem sei que o país anda decadente e moribundo, mas ver, constatar inefavelmente que a degradação é um cancro que alastrou e deixou o país no limbo... bem...
Vide:

And the wind blows

Oiço o vento lá fora, mas oiço mesmo ou sonho que oiço? As rajadas sopram com violência e eu estou no meio do temporal, a voar, desafiadora, com os olhos dardejantes de uma fúria dificilmente contida.

Mas imagino-me ou sonho que me imagino?

O vento emaranha-me os cabelos e lá fora tudo é escuridão, eu vejo-me a enfrentar o vento no meio do temporal, mas também sinto o vento a chicotear-me o corpo. Sou um ser duplo que se sente e se vê. “Sopra! És muito mais forte do que eu, mas não me vencerás! Eu não desisto! Eu nunca desisto!”

Claro que desisto: já desisti de tanta coisa na vida… Quando dou por mim já não estou a voar, estou na praia, naquele areal imenso da F**, e o vento sopra, sopra com força, mas desta vez brinca com os meus cabelos: parecem vozes a brincar comigo – Vem! Vamos brincar as escondidas. – Não quero ir, tenho medo. Não me entrego ao vento, antes faço-lhe uma barreira, até que fico farta e me vou embora.

E sei que o vento não me quer fazer mal, só quer tornar-me uma igual e sairmos os dois a voar.

Começa a chover, torrencialmente e eu voando, nado no meio da água. Relâmpagos caiem do céu, mas o trovão não é ensurdeçor. Pertenço ali. No meio da fúria dos elementos sou mais leve, insignificante, invisível, confundo-me com o caos que me rodeia. Não há teorias, não há hipocrisias, não há falsidades.

Fico cansada de medir forças com o vento e adormeço.

quinta-feira, novembro 23, 2006

conflito de personalidades

Sempre me questionei porque razão todos nós sentimos necessidade de recorrer a eufemismos para desculpar os sentimentos negativos que nutrimos pelos demais.
Passo a explicar: eu não me dava bem com a bruxa da senhoria com quem vivi no 1º ano, por "conflito de personalidades". Sim, a mulher tinha um "conflito de personalidades" com toda a gente naquela casa.
Também não me dei bem com C, na casa onde vivi no 2º e 3º ano por "conflito de personalidades". Realmente, se fosse do género dominador e bom samaritano: se não me importasse de acordar a menina todas as manhãs, fazer as refeições para ela, e ver a minha despensa ser sistemática e selvagicamente assaltada, sem qualquer tipo de reposição, sim, se fosse do género católico e caridoso, teriamos as duas sido amicíssimas!
Mas o "conflito de personalidades" é pau para toda a obra! Não me dei bem com M que viveu comigo do 4º ao 5º ano, porque sua excelência deixou de falar para mim de um dia para o outro. Ao "Bom dia, M!", nem um grunhido em resposta. Ao "Como correu o dia?", respondia "Bem". E a convivência ficava por aí. Não haja dúvida que tinhamos personagens conflituantes, salientadas pela má educação da menina.
Bom... Mas os conflitos não se ficam por aqui. Como pessoa conflituosa que sou, única resposta para os casos infra descritos, não é que na casa onde vivo há já um ano, tenho mais um "conflito de personalidades"???
Desta vez a personalidade que conflitua com a minha é de pessoa a que denomino de cinicamente simpática: fecha-se na cozinha com o namorado e quando entramos para jantar (sim, também nós, como comuns mortais, temos de nos alimentar), instala-se um ambiente de mau estar. O namoradinho está proíbido de falar connosco, pelo que nem olha para nós e age como se não existissemos. Ela, comporta-se como se a nossa entrada na cozinha fosse uma afronta e fala connosco com os lábios apertados, contrariada pela nossa presença. No dia seguinte, já sozinha, é toda "Olé!", cumprimento pseudo-ligeiro que me lembra sempre os touros nas arenas, de olhos injectados de sangue, enraivecidos perante as capas vermelhas. Ao que secamente respondo "olá".
E a menina, que é um niquinho de gente, daquele tipo que parece que foi à máquina no programa errado e encolheu, come como uma anorética (uma canjinha de galinha anémica, como ela) e ainda tem o cinismo de perguntar "são servidas?". Ultimamente tenho tido ganas de lhe responder "Sim!", só para ver a reacção dela.
Mas nada disto explica o cinismo de A: a menina pela frente é só sorrisos, com excepção da cara de cu, com que marca território quando está com o namorado, mas faz gala em se queixar de nós, nas nossas costas e a horas tardias, em que o silêncio da noite faz com percebamos tudo o que tem para dizer.
Eu não chamo a nada disto conflito de personalidades. Tenho amigos de todos os tipos: extrovertidos, introvertidos, dominadores, frontais, esquivos, e dou-me bem com todos eles. Chamo a isto uma clamorosa falta de valores e má-educação. Perdoem-me, se puderem, por não entrar em eufemismos socialmente correctos, mas acho que já está na altura de chamarmos as coisas pelos nomes.

domingo, novembro 12, 2006

girls night

Começa tudo com uma mensagem, um telefonema: "amiga, passo por aí às x horas, e depois logo se vê.". Tudo bem, esta noite começamos pelo Galerias... Fomos chegando, às pinguinhas... "Opah, estou farta de aqui estar, vamos para o Tropical" (na boa, vamos lá! Já não estamos todas juntas há tanto tempo, o que interessa o espaço). E fomos. Há pessoal que se dispersa, adverso ao ambiente pseudo do Tropical, mas o núcleo duro continua o mesmo. "Paulo, é outra Carlsberg e uma empalhada". Chega a X e o R, do jantar romântico. "Opah, fodido, fodido é quando sonhas acordada, e só sabes que estás a dormir quando te olhas ao espelho e não tens reflexo" (Fodido, realmente). Carlsbergs para todas que a noite ainda é uma criança, e nós precisamos de animar! (foda-se, já não estavamos juntas há tanto tempo! Já faltava uma noite de gajas a sério!). Desta vez não falamos de coisas fúteis, só de como o tempo nos corroi e como sentimos que aquela noite é mesmo especial. "Vamos para o Procura-me, tenho lá uma amiga à minha espera". E fomos. Bebemos uma cerveja, rapámos frio, tivemos tempo para uma conversa, tête à tête, sobre os cabrões dos gajos (alguns), e vimos umas gajas a namorarem-se durante 1 hora, até ganharem coragem e darem o beijo. "Beija lá a gaja, pah! Olha, sumiram-se!". Fomos para o Delight: "Medusasss, hoje vamos ter uma noite diferente!" (Ok, X, estou nas tuas mãos)... E fomos. E bebemos bem, para regar a falta de interesse no local. Papel de parede engraçado, luz difusa agradável... mas gajos de camisa justa, mamilos com mini erecções... muito pobre. Índice de xunguice. Tiraram-nos uma foto merdosa, e pior pior, é ver as pilosidades a saltar dos colarinhos das ditas t-shirts. 5 da matina. Where? Bar de putas ou Vinyl? Vinyl. Entramos ainda alegres, mas o ambiente claustrofóbico cedo leva a melhor. Grandes conversas filosóficas, inclusive na casa-de-banho "E o gajo, dá-me um chocho, estás a ver? E eu? Sem reacção!" Só miúdas produzidas, miúdos com 15 anos, cotas e ciganada. O gajo andrógino serve-me a cerveja. "Tenho de perguntar àquele gajo onde é que arranja as sobrancelhas". (sim, e eu tenho de reconhecer que ele fica mais giro com lápis nos olhos do que eu)... Seca... A bebedeira não chega para aguentar o Vinyl: instala-se o desconforto (estou farta desta merda, que vim cá eu fazer?) Grandes conversas filosóficas, de quem ainda está mais sóbrio que eu. Tipos sedentos de eye contact, para tentarem a sorte... Tipas histéricas à custa de x Vodkas... Degredo. "Vamos embora". Saimos. Continuação de conversa filosófica sobre os limites da amizade "Sim, porque no teu subconsciente tu não consegues controlar o teu instinto primário, e mesmo que ela seja tua amiga, haverá uma altura em que esse limite será posto à prova e terás de optar por uma amizade, ou por uma cena mal resolvida" (falamos línguas diferentes, não vale a pena discutir, estamos a aprofundar o fosso entre sexos). Vou para casa. Girls night! Há tanto tempo que não estavamos juntas! Não há espaço nem distância, só os afazeres de amanhã para encurtar a noite, as sensibilidades... para nos mostrar como momentos como este são cada vez mais raros.

Não estive em sítios de que gostasse, mas estar com as amigas de que gosto faz toda a diferença. Pode ser no Museu, na Queima, a falar sobre sexo; pode ser no Tropical a falar do tipo que te tramou: não interessa. Estamos juntas.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Moi non plus

Sempre corei a ouvir esta música, mas nunca a tinha realmente ouvido com atenção. É daquelas coisas que os ignorantes da língua às vezes têm: percebem as coisas nas entrelinhas.

Há dias tropecei nesta música (foi mesmo tropeçar, ia descuidada e formosa, como a tal que ia para a fonte, e trás!), e então pensei: "Não! Quero saber exactamente o que estes dois tipos andam a sussurrar um ao outro!" E lá fui eu toda contente para sites de lyrics...
A letra é belíssima, como têm oportunidade de constatar, com uma carga erótica fortíssima, mas qual não é o meu espanto, quando carrego na opção traduzir (o site era brasileiro), e o "moi non plus" aparece como "eu mais ainda". Fiquei pasma!!! Então esta gente que é toda free love - "Eu amo você, tenho saudade do seu cheirinho, não sei viver sem você... você tralala... conversa absolutamente enjoativa" - nem sabe fazer uma tradução como deve ser? Haverá censura?
O certo é que haverá por aí muita adolescente brasileira a professar o amor romântico com esta bela musiquinha... e como tenho todo o respeito pelos nossos irmãos, não posso deixar de esboçar um sorriso de satisfação. E daí, também é pedir muito a adolescentes brasileiras... A aposta deve ir mais para aquelas matronas da pseudo-socialite Brasileira que não sabem Francês e quando se despedem dizem "Baiser, baiser!"

Je vais, je vais!
A tout a l'heure!



Jane Birkin & Serge Gainsbourg
Je T`aime... Moi Non Plus

"Je t'aime,
Je t'aime, oh, oui je t'aime !
Moi non plus.
Oh, mon amour, comme la vague irrésolu.
Je vais, je vais et je viens,
Entre tes reins,
Je vais et je viens, entre tes reins, et je me retiens.
Je t'aime,
Je t'aime, oh, oui je t'aime !
Moi non plus
Oh mon amour, tu es la vague, moi l'île nue.
Tu va, tu va et tu viens,
Entre mes reins, tu vas et tu viens, entre mes reins, et je te rejoins.
Tu va, tu va et tu viens,
Entre mes reins,
Tu vas et tu viens, entre mes reins, et je te rejoins.
Je t'aime,
Je t'aime, oh, oui je t'aime !
Moi non plus.
Oh mon amour !
L'amour physique est sans issue.
Je vais, je vais et je viens,
Entre tes reins,
Je vais et je viens, je me retiens. non ! maintenant viens !"
E pronto, o amor é bom, e vêm-se ao mesmo tempo.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Já foi há tanto tempo!



É verdade, a medusasss já não é estudante.

Faz já um ano que rompeu amarras com a velha instituição universitária.
Não sinto a mínima saudade daquele traje saco de batatas, nem das tradições a que ia com ele vestido, mas recordo com muito prazer o dia do meu rasganço :)

Há quanto tempo não estamos todos juntos?

domingo, novembro 05, 2006

pablo, pablito... andare, andare!

Conho, eres sordo?
Vá lá, carago! Andas aí a empatar... empata fodas! Prá frente é o caminho e tu a assobiar para o lado! Tens manha de puto de bairro, daqueles que fazem merda e quando são apanhados ficam a olhar para o chão.
Despacha-te carago! Achas que tenho tempo para estas merdas?
Come, baby come.

sábado, novembro 04, 2006

News of the year!

Não podendo deixar de postar nos MORIBUNDOS QUE NEM UMA VACA LOUCA notícias menos moribundas... Moi, medusasss do cabelo insuportavelmente eléctrico e cheio de vontade própria, em completo disregard of owners atention, vem por este meio dizer que está convidada para o Evento mais esperado do ano: O casamento da G!
I'm in! Weeeee!!!
Já não pensamos noutra coisa senão na despedida de solteira (auge da existência de qualquer boa menina de família) e no bouquet: ocorrências para a quais estamos a trabalhar arduamente, treinos físicos específicos do mais alto gabarito, incluindo World Wrestling exclusivo para "damas" em vestido de noite e sapatos 10 cm agulha.
Também não conseguimos dispersar as nossas mentes das entradas, dos vinhos e digestivos, do bolo de chocolate (sim M, dos convidados solteiros)...
Foram entregues Invitations específicos para o evento a grande parte do núcleo duro das girls night, so it's going to be a stiff tournement.
É giro falar de competição pelo bouquet quando na verdade sei que nenhuma de nós vai ficar com os olhos secos quando trocarem as alianças.
Afinal há vida em Marte, quem diria!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Fenix

Há alturas na vida em que sentimos que não podemos bater mais fundo, que nunca conseguiremos emergir daquela àgua negra viscosa, que nos suga lenta mas inexoravelmente. Há dias em que sentimos que não falta muito para que o nosso inferno pessoal se torne implacável, em que pensamentos alucinados tomam conta de nós e, apenas com muita força de vontade, impomos a nós próprios a disciplina férrea do quotidiano, para continuar a sobreviver, um dia de cada vez...
Há dias seguidos de dias, assim.
Há anos monstruosos de dor em que tudo o que tocamos nos morre nos braços, em que morre em nós tudo o que há de bom e colorido, em que os sonhos são povoados por monstros reais e dormir, só dormir, é uma montra de chocolates numa rua suja e fria.
Renasci este ano. Mas qual Fenix renascida, sou feita da mesma matéria. Oroboro, Eterno Retorno... Nietzsche, fuck you!

sábado, outubro 28, 2006

Un monde de goûts

"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"

Chocolate preto, chocolate belga, chocolate branco,
Chocolate quente, gelado de chocolate, crêpes de chocolat,
Chocolate na taça, no papel prata, na colher, no teu corpo,
Furiosamente chocolate, languidamente chocolate.
Orgasmicamente chocolate.

Au Revoir, cher!

sexta-feira, outubro 27, 2006

Intelectuais, Intelectualoides e Pseudo-intelectuais

Ou a arte de ler o jornal às escondidas

A arte e a cultura sempre tiveram uma relação de interdependência genética e funcional.
Muito me espanta, então, esta avalassadora falta de apetite pelos ditos artistas, ou candidatos a artistas, pelas coisas ditas culturais, ainda para mais quando a Arte só almeja ser Arte quando reflete aquilo que nos rodeia.

Como compreender o mundo sem as indispensáveis ferramentas proporcionadas pela cultura?

Hoje o individualismo acéfalo, erigido em crenças egoistas do homem novo, considera a arte como o acto desgarrado de qualquer realidade, como o resultado final de um neo-demiurgo especialista em caos, e em vender velharias como novidades.

Nada disto seria possível com uma população esclarecida.

Contraditório, mas verdade, hoje apelidar alguém de intelectual é ofensa qualificada, é apodar a criatura de avis rara, que troca o Viver por um refúgio numa gaiola dourada de conceitos, relações, dados objectivos e amorfos, todos eles assepticamente tratados através de raciocínios dedutivos e analógicos: coisas de gente chata e enfadonha, que quando falam parece chinês, e fazem citações em línguas mortas...

Mas se ser intelectual é mau, muito pior é ser-se apelidado de pseudo-intelectual!
Neste país de iluminados, intelectual verdadeiro é aquele que nasce em berço de oiro e pode assim "não viver" à vontade, porque aquele que até aprende umas coisas e é interessado, não é intelectual, é pseudo... e se já leu obras de referência, vai ao teatro e ao cinema, frequenta tertulias... fala de livros como as "gentes do povo" falam de telenovelas... então encontramo-nos perante o espécime híbrido de intelectualoide... Todas os três alvos a abater na sociedade do instantâneo.
Sim, porque quem sabe pensar, ou almeja compreender o mundo sem as ferramentas falaciosas da comunicação social, mas sem as descurar, isso é gente perigosa, imprevisivel!!!
Mas muito pior é ler o jornal em público! "Essa raça de intelectuais que lê o Expresso nos cafés, que discute o Público entre si..." Essa gente que acaba sempre uma disputa com: "É o Sistema".
Deixemo-nos de tergiversões...

quinta-feira, outubro 26, 2006

CHATOS II - O ATAQUE DOS CLONES

Meretríssimos colegas:

Outstanding disgrace, oh tu que almejas a perfeição: dois enjoados, um cínico e um chato...
Visita alapada de chato sénior, cujo grau de concentração de factor C (de chato e etc), era deveras elevado, lancinando estagiária do lado negro da força pelo seu constante e imerecido fascínio pelo afã da sua existência.
Refugiou-se, então, deseducamente, no leitor de mp3 e no café Hugo de Ortega, quando outro café, outras esplanadas e outros companheiros de infortúnio seriam mais bem vindos.

Relatório preliminar: Sanidade mental mantida, objectivo principal alcançado.

"Bem, vou andando, já estou farta desta merda. Até uma próxima vez."

sábado, outubro 21, 2006

Em '69 foi igual

Oh Santinhos bebe uma pinga
"no rules great scotch"
cabrões

segunda-feira, outubro 16, 2006

All we need is dovesouffle, ratatatataaaaaaaaaaa!



"Espécime avícola na cavidade metacárpica, supera os congéneres revolteando em duplicado"

Odeio pombas: quero vê-las fuziladas das cidades. Por mim era uma metralhadora, um mercenário, e zero pombas! Adios chicas...

Sair de casa...

Isto de ter "two places you call home", é o mesmo que não ter merda nenhuma. Eleges um temporariamente home, para onde, se tiveres espaço, levas livros e livrinhos, cds, dvds, o rádio leitor de cds, televisão, leitor de dvds... tudo para dar um aconchego a um local que não é teu, que nunca será teu, e que tu não desejas que seja.
A outra home fica despojada da tua essência, sempre arrumada, as almofadas no lugar, e começa lenta, mas inexoravelmente, a ser invadida por ursos de pelucia, que não são, nem nunca foram teus; por cacos oferecidos por gente desprovida de sentido estético, e que estavam escondidos no quarto do meio (não o virtuoso, mas aquele quarto tipo guarda-fatos Lewisano, em que se mete tudo o que não se quer ver, nem ter).
Assim, regresso a casa, ao meu quarto despojado de identidade, onde uma estranha limpa o pó de vez em quando, e ao olhar com saudades para a estante onde tenho os livros que fizeram e fazem de mim o que sou, dou de caras com uma estátua ao contrário. A criatura não soube vislumbrar qual era a parte da frente, muito ao meu estilo: nunca sei qual o lado direito de um napron redilhado.
Mistérios da vida, mas hoje ao ler o Sol, senti-me em casa, quando antes lia o Expresso.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Babe I'm on fire!

Quero outra vaca leiteira,
Mas não outra vaca qualquer
Não quero leite, nem manteiga
Nem vaca gorda feia
Talim talão!

Um colar eu lhe comprei
Aquela vaca gostou
Passeia pelo Shopping
Passa cheques com agrado
Talim Talão! (adeus dinheiro!)

terça-feira, outubro 10, 2006

Torce e cola

Azares da vida... Deus castiga, não é?
Mal acordei na 2ª de manhã, dei tal mau jeito ao pescoço que fui (depois de uma longa caminhada para o escritório) pouco direita para as urgências... Azar dos azares, 2ª é o pior dia para alguém ficar doente. Eram velhos e velhinhos, em cama e cadeira de rodas, eram quarentões de palito no canto da boca, refilões... Estive 2 horas para passar a triagem!
Diagnóstico: cervicalgia... vulgo torcicolo.
Agora apelo à vossa imaginação... Eu toda torcida. Para me vestir foi um inferno. Parecia uma anormal a pentear o cabelo. Tive de calçar as sapatilhas, e empurrar com o dedo os tacadores para dentro da sapatilha... quando bebo àgua o copo fica a meio... e lavar os dentes é uma aventura! Giro não é? Daria um belo sketch.
Mas doi que se farta, e ando a tomar medicamentos para o reumatismo, como os velhinhos... Ri-te, Ri-te! deus castiga! (castigat ridendo mores)

segunda-feira, outubro 09, 2006

Se gostasse tanto de cigarros como de bacalhau...



Se o homem tivesse sido feito para fumar teria nascido com uma chaminé na parte de trás do pescoço.
Eu comecei a fumar estupidamente no 1.º ano da faculdade, foi um bocado aquela coisa de a Maria vai com as outras… E eu que era completamente contra o consumo de tabaco. Drogas leves, mais concretamente maria-joana, até era a favor, agora tabaco achava ridículo, só podia fazer mal aquela porcaria… Mas a Maria foi com as outras, cigarro com café sabia bem, com leite frio também, depois dum grande jantar e com uma cervejinha, que bom…E tentar fazer bolinhas… tentar mesmo, porque faze-las só mesmo de longe a longe.
Estou com um cigarro na unha e com uma dúzia no maço… Há meses que penso em deixar de fumar, até já tive 2 tentativas frustradas. Claro, força de vontade é tudo e eu não queria deixar.
É de arregalar os olhos e abrir a boca até ás orelhas quando se faz contas aos cigarros que já se fumaram e que se continuam a fumar, diariamente, quase sem interrupções. Se cada cigarro nos tira 2 minutos de vida em cerca de 6 anos, fazendo as contas a 10 cigarros por dia isto dá uns 21900 cigarros, foda-se é demasiado, nem quero continuar a fazer contas. É saúde e dinheiro deitados ao lixo…
Hoje em dia nem sempre o cigarrito me sabe bem, ás vezes nem sei porque fumo ou nem dou conta que acendi o maldito rolo de papel com cancro lá dentro e está mal, está mal.
Tinha estipulado o fim do curso para me livrar desta porcaria, suponho que seria mais fácil, mas nunca vai ser fácil…
Gostava de dizer que este vai ser o meu ultimo maço maldito e adorava nem sequer o acabar, vou tentar mais uma vez, desta vez vou-me esmerar na força de vontade… Só espero no próximo post não escrever um choradinho de desculpas acerca do porquê de continuar a fumar.
E era simpático deixar de fumar, estou meio constipado desde a festa do avante e tenho a certeza que se não fumasse já andava rijo que nem um pêro.
O Bacalhau quer alho
, é o melhor tempero, quem comer alho fica rijo que nem um pêro… Não gosto de bacalhau.

domingo, outubro 08, 2006

Posta chatinha

Chato chatinho este domingo, se não faço nada sinto-me mal, se faço demais na segunda estou cansado. Só há dois dias de descanso e o 2.º torna-se stressante duma forma entediante… Já foi bem pior, lembro-me de domingos em reuniões de família acompanhadas pelo Big Show Sic, ou o filho da puta do domingo em que fui obrigado a desperdiçar a tarde numa comunhão duma prima que nem conhecia e nem conheci.

É chato ter que escrever propostas de trabalho para os meus professores, à parte do “quero fazer o que me apetecer, o que gosto, da forma que preferir” é difícil preencher umas quantas paginas com treta e referencias que por vezes nem são assim tão importantes. E nas exposições de Serralves todas megalómanas com coisas do arco-da-velha, com todo aquele texto em letras aparatosas, será realmente necessário?.. Se a obra fala por si o texto sufoca-a, e se não fala por si, não vai ser por ler uma composição toda floreada com palavras estranhas e vistosas acerca da pesca do bacalhau que vou compreender… Esta a nossa mania de dizer as coisas subtilmente, com grandes teorias, grandes justificações… Quero pão com chouriço, caralho!

E o futebol anda uma chatice também, o Benfica não joga nada há uma dezena de anos e isso tira a piada toda… O facto dos de vermelho terem ganho um campeonato numa das épocas mais chatas de sempre do futebol nacional também não teve assim muita piada… E soube a pouco.

E é chato toda a gente fumar coisas ilícitas e no entanto não existe uma coffee shop em Portugal e os dealers são mitras… E depois no Porto à noite se és teso, simplesmente não tens noite fora de casa. Há sempre o sítio do costume, mas como o pingo doce, também esse já chateia.

É chato ser finalista dum curso de 5 anos, principalmente se já perdeste um. Mais chato é veres os marmanjos que entram agora no mesmo curso que tu e vão ter muito menos trabalho e dentro de 6 anos podem já estar licenciados e mestrados, que cabrões!

E depois é chato o aquecimento global, o arrefecimento global, não perceber a quantas é que o tempo anda. É chata, a fome no mundo e a guerra no Iraque, chateia-me saber que a Coreia vai fazer testes nucleares e que o Fernando Santos ainda está no Benfica, chateia-me a Paula Bobone e irrita-me nunca ter tido o prazer de espetar uma tarte na cara de alguém, chateia-me ver um filho do presidente a presidente e um presidente que sonha ser o George Clooney e que tem pinta de sportinguista…

Chateou-me hoje ir jogar Playstation e verificar que o DVD boot que me deixa correr jogos pirateados estava estragado, fiquei ainda pior quando me apercebi que não podia fazer queixa a ninguém pois estava a fazer algo ilegal… E por consequência fiquei fulo depois de gastar mais de 1gb em tráfego internacional a tentar sacar vários supostos primeiro episodio da terceira série de LOST a partir de varias fontes diferentes para garantir que pelo menos um ia funcionar e depois eram todos FAKE! ARGHHHHHHHHHHHH!

E se é chato, se é chato coça, se coça faz ferida, se faz ferida tem que ir ao medico, se tem que ir ao medico tem que se pagar, se tem que se pagar é chato, se é chato coça, se coça faz ferida, se faz ferida tem que se ir ao medico, se tem que se ir ao medico tem que se pagar se tem que pagar é chato…

sábado, outubro 07, 2006

CHATOS

Há pessoas chatas, mas há seres que ultrapassam todos os limites. Falo dos Ditadores da chatice, Imperadores da estupidez, Reais Soberanos da conversa mole, Duques do narcizismo megalómano, Condes da voz insuportável.

Uma adjectivação tão numerosa não pode deixar de publicitar, para os mais atentos, que a lamentável autora deste post se encontra em estado de desgraça.

Pois bem, imaginem um sujeito, a que aleatoriamente chamaremos F.
Este sujeito, encarna o mais vil dos Imperadores da chatice. Sua exa não sabe que é incómodo, sua exa ri-se quando o mandam calar, a sua voz é adorável e o que diz pérolas, que ele por misericórdia desperdiça em plebeus (sua exa tem tios, primos, relações em todo o lado).

Virar as costas a sua exa é piada, dizer que sua exa é um chato, não é uma constatação óbvia, é uma anedota que recarrega as chatas baterias duracel de F, e lhe dá alento para mais uns looooooongos minutos a ouvir-se.
F não pensa. Como todo o chato, relaciona um qualquer facto, que qualquer incauto (também chato) deixou escapar, liga-se à corrente, e lá vai ele!

F é tão chato, que não fora o aproveitamento escolar, dizer-se-ia que é atrasado.
F é como uma mancha na melhor toalha, como o borboto nas camisolas benetton: é uma porcaria , mas é também inevitável que nunca nos iremos livrar deles.

Não posso deixar de pensar, com uma certa delícia, que da próxima vez que chamar a alguém chato, lhe estou a chamar, implicitamente, tudo o que aqui consta, que essa pessoa certamente não merece, mas que serve de compensação para a quantidade de vezes que mandei calar F... sempre em vão...

Calem-se os oportunistas. A tese da estupidez em directo só funciona em espécimes ainda não expostos a F.

Não sou crente, mas vou rezar por um milagre (o chato tem uma saúde de ferro, nunca adoece, mas tem sempre voz de constipado).